01 de abril de 2026
DIA DA MENTIRA

Quando a mentira deixa de ser brincadeira e vira um problema?!

Por Laura Reis - estágio sob supervisão | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/ IA
Nesta data tão emblemática o JCNET conversou com uma psicóloga para entender sobre o assunto

Celebrado em 1 de abril, o Dia da Mentira é marcado por brincadeiras e histórias falsas, mas sua origem remonta a tradições históricas e culturais que atravessam séculos e também abre espaço para discutir quando mentir deixa de ser diversão e se torna um problema psicológico. A explicação mais difundida sobre a origem da data está na Europa do século XVI. Em 1582, com a adoção do novo calendário cristão instituído pelo papa Gregório XIII, parte da população resistiu à mudança e continuou comemorando o Ano Novo entre o fim de março e o dia 1 de abril. Esses indivíduos passaram a ser alvo de zombarias e pegadinhas, dando origem à associação com a “mentira”.

No Brasil, a tradição foi registrada em 1828 com o jornal “A Mentira”, que publicou, em Minas Gerais, a falsa notícia da morte de Dom Pedro I em sua edição de 1º de abril. Ao longo do tempo, o dia se consolidou como um momento de descontração, com pegadinhas e histórias fictícias. Expressões populares e crenças, como “manga com leite faz mal” ou “gato preto dá azar”, também circulam como exemplos de informações falsas que atravessam gerações.

No entanto, especialistas alertam que a mentira pode ir além da brincadeira. A chamada mitomania é um comportamento associado a transtornos psicológicos, caracterizado pela compulsão de mentir de forma recorrente, muitas vezes sem objetivo claro, podendo causar prejuízos nas relações sociais e na vida do indivíduo.

Para entender um pouco mais sobre o assunto, o JCNET conversou com a psicóloga Danielle Mecheseregian Albano, mestre em Ciências da Saúde pela USP de Bauru e especialista em análise do comportamento aplicada e neuropsicologia. “A mitomania está vinculada muitas vezes a algum transtorno, geralmente de personalidade. A gente vê muito ligada a transtorno antissocial e transtorno borderline. Às vezes se consegue observar também em transtornos de ansiedade, mas, ela se caracteriza como um sintoma, e esse sintoma, estão frequentemente ligado a infância, onde houve questões com insegurança, situações em que a pessoa observou que, muitas vezes, essas mentiras acabavam sendo uma forma de compensar alguma coisa que faltou lá atrás”, informou. Segundo a psicóloga, a mitomania deve ser compreendida como um comportamento que exige avaliação clínica e acompanhamento profissional adequado.

O tratamento da mitomania envolve principalmente acompanhamento psicológico, com destaque para a psicoterapia, especialmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que ajudam a pessoa a reconhecer padrões de pensamentos ligados ao comportamento de mentir e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com emoções e relações. Em alguns casos, quando o comportamento está associado a outros transtornos, como o Transtorno de Personalidade ou o Transtorno de Ansiedade, pode ser necessário também o uso de medicação, sempre com orientação psiquiátrica. O apoio familiar e social também é importante no processo de mudança.

“Nós trabalhamos em cima dos pensamentos disfuncionais, em cima daquelas dificuldades de autoconhecimento e construção de comportamentos mais saudáveis para lidar nas relações interpessoais. Então, a cognitivo-comportamental é muito indicada e dependendo da gravidade, pode ser associada ao tratamento medicamentoso”, destaca a psicóloga Danielle.