A liturgia do 5º domingo da quaresma, neste ano A, nos conduz ao último passo de um verdadeiro itinerário batismal. Desde os primeiros séculos da Igreja, a quaresma é o tempo de preparação dos catecúmenos que receberão o batismo na Vigília Pascal. Por isso, os Evangelhos desses domingos apresentam três grandes símbolos ligados ao sacramento do Batismo. No 3º domingo, o encontro de Jesus com a samaritana nos revelou o dom da água viva (cf. Jo 4). No 4º domingo, a cura do cego de nascença nos apresentou Cristo como a luz que ilumina nossa vida (cf. Jo 9). Agora, neste 5º Domingo, a liturgia nos conduz ao grande sinal da vida nova, com a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11,1-45).
A primeira leitura, da profecia de Livro de Ezequiel (Ez 37,12-14), apresenta uma imagem impressionante: Deus que abre os túmulos de seu povo. O Senhor promete: "Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel [...]. Porei em vós o meu espírito, para que vivais" (Ez 37,12.14). Não se trata apenas de falar da morte física, mas de todas as situações de morte que podem atingir a vida humana: o desânimo, a perda da esperança, as feridas do coração. A promessa de Deus é clara: Ele quer colocar em nós o seu Espírito para que vivamos.
Essa promessa encontra sua plenitude em Jesus. No Evangelho (Jo 11,1-45), diante da dor de Marta e Maria, Jesus manifesta uma profunda compaixão. O Evangelho nos diz simplesmente: "E Jesus chorou" (Jo 11,35). Essas duas palavras revelam a proximidade de Deus com o sofrimento humano. Deus não é indiferente à nossa dor. Ele caminha conosco e partilha nossas lágrimas. Mas Jesus não permanece apenas na compaixão. Ele revela sua identidade e sua missão quando diz a Marta: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá". (Jo 11,25). Com essas palavras, Jesus mostra que a verdadeira vida não é apenas prolongar a existência terrena, mas participar da vida que vem de Deus. O sinal realizado por Jesus é impressionante. Diante do túmulo, Ele ordena: "Lázaro, vem para fora!" (Jo 11,43). E o morto sai do túmulo. Depois, Jesus acrescenta: "Desatai-o e deixai-o caminhar!" (Jo 11,44). A vida nova que Jesus oferece não é apenas voltar à vida, mas ser libertado de tudo aquilo que nos prende e nos impede de caminhar.
É exatamente isso que o Batismo significa na vida cristã. Pelo Batismo, somos mergulhados na morte e ressurreição de Cristo para receber uma vida nova. A própria liturgia do Batismo expressa essa realidade quando o celebrante reza: "Deus todo-poderoso que vos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo vos conserve em sua graça para a vida eterna". E quando se abençoa a veste branca, recorda-se ao batizado: "Você se tornou nova criatura e se revestiu de Cristo".
Essa transformação também é recordada por São Paulo na carta aos Romanos, conforme a segunda leitura (Rm 8,8-11): "Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós" (Rm 8,9). E ele acrescenta: "Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então vivificará também vossos corpos mortais" (Rm 8,11).
Portanto, a vida nova que Cristo nos oferece começa já agora. Ela acontece quando deixamos que o Espírito de Deus habite em nós, renovando nossos pensamentos, nossas atitudes e nosso modo de viver.
À medida que nos aproximamos da Páscoa, a liturgia nos convida a escutar também hoje a voz de Jesus que nos chama pelo nome, como chamou Lázaro. Ele continua dizendo a cada um de nós: "Vem para fora!". Sai daquilo que te prende, daquilo que te desanima, daquilo que te afasta da vida verdadeira.
A Quaresma é precisamente esse tempo de graça em que o Senhor remove as pedras que fecham nossos túmulos interiores e nos conduz novamente à vida. Porque Cristo não veio apenas para nos consolar, mas para nos dar uma vida nova - uma vida renovada pela graça, iluminada pela fé e sustentada pelo Espírito de Deus. Amém.