15 de março de 2026
BEM-ESTAR

Bom motivo para escovar os dentes

da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Crianças com múltiplas cáries ou que sofrem de gengivite grave apresentam uma incidência significativamente maior de acidente vascular cerebral (AVC), infarto e doença arterial coronariana na vida adulta. Esta é a conclusão de um estudo da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Os pesquisadores utilizaram dados do Registro Nacional de Odontologia Infantil (Scor) das crianças nascidas entre 1963 e 1972 que tinham ao menos duas anotações no Scor, totalizando 568.778 indivíduos.

Os dados foram comparados com os do Registro Nacional de Pacientes de 1995 a 2018 sobre doenças cardiovasculares, período em que as mesmas pessoas tinham entre 30 e 56 anos.

Os resultados foram ajustados para o nível de escolaridade dos participantes, que teve um efeito claro na incidência da doença.

O levantamento ainda levou em consideração a ocorrência de diabetes tipo 2, um fator de risco conhecido para doenças cardiovasculares.

Crianças com numerosas cáries apresentaram uma incidência até 45% maior de doenças cardiovasculares na vida adulta, em comparação com crianças com poucas cáries. Para aquelas com gengivite grave, a incidência foi até 41% maior. O estudo examina apenas as correlações entre saúde bucal e doenças cardiovasculares e não pode determinar causalidade.

Uma teoria, no entanto, aponta para a inflamação. "Suspeitamos que a exposição a altos níveis de inflamação, na forma de doenças gengivais e cáries na infância, possa influenciar a forma como o corpo responde à inflamação depois", diz Nikoline Nygaard, pesquisadora do Departamento de Odontologia da Universidade de Copenhague e uma das autoras do estudo.

'Podemos direcionar esforços preventivos'

Embora o estudo não possa estabelecer causalidade, ele aponta para um potencial significativo de prevenção, visto que a cárie dentária infantil é uma das doenças mais disseminadas globalmente e pode ser prevenida com relativa facilidade com uma escovação dental completa.

"Se pudermos identificar marcadores que indiquem quem tem maior risco de desenvolver diversas doenças mais tarde, podemos direcionar os esforços preventivos para esses grupos.

E isso traria benefícios para a saúde até a idade adulta", afirma Merete Markvart, do Departamento de Odontologia da Universidade de Copenhague e coautora do estudo.

A professora destaca que a gengivite é geralmente pouco estudada, apesar de sua alta prevalência entre crianças e adolescentes.

Portanto, ela defende que o registro da gengivite no Scor seja obrigatório, da mesma forma que as cáries.

"Não se trata de resolver doenças cardiovasculares tratando os dentes das crianças. Mas, se direcionarmos esforços para grupos específicos, podemos influenciar muitos na direção certa, melhorando sua saúde bucal", conclui Merete.