Considerada uma das principais causas de doenças dermatológicas em cães e gatos, a dermatite alérgica à picada de pulgas (DAPP) é uma reação de hipersensibilidade à saliva da pulga, capaz de desencadear coceira intensa, inflamação da pele, feridas e infecções secundárias, mesmo quando animais previamente sensibilizados são expostos a uma única picada.
A DAPP não deve ser vista como uma reação simples ou passageira. "É uma condição alérgica séria, que compromete a qualidade de vida do pet.
A coceira constante causa lesões dolorosas, favorece infecções por fungos e bactérias, interfere no sono, no apetite e até no comportamento do animal, além de agravar quadros pré-existentes, como dermatites atópicas", explica a médica-veterinária e consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Farah de Andrade.
Prurido intenso, vermelhidão, crostas, feridas, lambedura excessiva, inclusive nas patas, e queda de pelos, especialmente na região lombar, base da cauda, abdômen e parte interna das coxas são os principais sinais clínicos da doença em cães e muitas vezes são confundidos com outras doenças dermatológicas.
Gatos, embora menos diagnosticados por apresentarem sinais clínicos mais discretos, também são bastante afetados. Lesões em pescoço, cabeça e região dorsal, além de falhas no pelo, são indícios importantes para investigação.
Pulgas em cães e gatos causam coceira intensa, dermatite (DAPE), anemia (especialmente em filhotes) e transmitem vermes e doenças como bartonelose. A prevenção é fundamental e inclui uso de pipetas, comprimidos orais ou coleiras, além de limpeza frequente do ambiente, pois 95% do ciclo da pulga ocorre fora do animal.
Medicamentos antipulgas: Utilize pipetas, coleiras (até 8 meses de proteção) ou comprimidos orais, com recomendação veterinária.
Tratamento do ambiente: Aspire frequentemente a casa, especialmente tapetes e locais onde o pet dorme, para eliminar ovos e larvas.
Banhos periódicos: Shampoos antipulgas ajudam a remover os parasitas adultos.
Tratamento de todos os animais: Se um pet tem pulgas, todos os animais da casa devem ser tratados.
Vermifugação: Essencial, pois pulgas transmitem vermes que podem causar diarreia e anemia.
Mais comum: A pulga mais comum em ambos os pets é a Ctenocephalides felis (pulga do gato), capaz de infestar cães também. A consultado com um veterinário é essencial para determinar o melhor tratamento, especialmente para filhotes.
Como a DAPP tem caráter recorrente, a prevenção é o caminho mais eficaz para manter a saúde da pele dos pets. A aplicação regular de antipulgas e repelentes, o controle ambiental contínuo e as visitas periódicas ao médico-veterinário são medidas essenciais. A veterinária reforça ainda a importância da observação cotidiana. "Coçar é comum, mas coceira constante é sinal de alerta. O responsável deve estar atento às mudanças de comportamento, à qualidade da pelagem e ao surgimento de lesões. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a resposta ao tratamento."
O tratamento da DAPP vai além do controle dos parasitas. Embora a eliminação das pulgas seja o primeiro passo fundamental, o plano terapêutico costuma incluir o uso de anti-inflamatórios e antipruriginosos para aliviar o desconforto, como prednisolona, dexametasona, oclacitinib e ciclosporina. Antibióticos e antifúngicos são indicados quando confirmadas infecções secundárias.
Para fortalecer a barreira cutânea e promover a recuperação da pele, entram em cena os suplementos e nutracêuticos, como os ácidos graxos essenciais, ômega 3 e 6, zinco e biotina, além de antialérgicos e imunomoduladores.
Fitoterápicos e compostos naturais também podem ser utilizados como terapia adjuvante, especialmente em apresentações tópicas com ação cicatrizante e calmante, como os que contêm óleo de Neem, Aloe vera, própolis ou calêndula.
A manipulação veterinária oferece uma vantagem importante ao permitir a personalização do tratamento de acordo com as necessidades do paciente.
Medicamentos podem ser formulados com a dose exata para o peso do animal, associados em uma única preparação e oferecidos em formas farmacêuticas mais atrativas, como biscoitos saborizados, molhos, xaropes e pastas orais.
Para evitar efeitos colaterais gastrointestinais, géis de aplicação transdérmica e cápsulas gastrorresistentes são algumas opções.
Outras formas de apoio incluem loções e sprays com ação dermatológica específica e o uso de reguladores de crescimento de insetos (IGRs) combinados a antipulgas, em apresentações tópicas, que ajudam a impedir a proliferação das formas imaturas das pulgas no ambiente.
"A manipulação veterinária permite associar ativos em uma mesma formulação, com dosagens ajustadas ao peso, à espécie e ao grau do quadro clínico. Além disso, podemos facilitar a administração com formas palatáveis e agradáveis ao pet, o que melhora a adesão ao tratamento", destaca Farah.
Para entender a gravidade da DAPP, é preciso compreender o ciclo das pulgas. Estima-se que cerca de 5% da população de pulgas esteja no animal adulto, enquanto a maior parte (95%) encontra-se no ambiente na forma de ovos, larvas e pupas. Isso significa que, mesmo tratando o pet, ele pode ser reinfestado, caso o ambiente não seja controlado.
As pulgas adultas iniciam a postura dos ovos poucas horas após se alimentar do sangue do hospedeiro.
Um único parasita pode produzir até 50 ovos por dia, e esses ovos se espalham por toda a casa, principalmente em locais como tapetes, sofás, camas e frestas do piso.
As larvas se desenvolvem no ambiente e posteriormente se transformam em pupas, que ficam protegidas por casulos resistentes onde podem permanecer por semanas ou meses, até encontrarem condições ideais para eclodir.
"É por isso que tratar só o animal não resolve. É indispensável o controle ambiental com produtos adequados, aspiração frequente e lavagem de tecidos. Do contrário, o ciclo se reinicia e o quadro alérgico persiste", orienta a veterinária.
- Coceira intensa e inquietação
- Presença de pequenas "sujeiras" pretas na pele (fezes de pulga)
- Perda de pelo, vermelhidão e feridas (dermatite)
- Gengivas pálidas (sinal de anemia)
Os predadores naturais de pulgas incluem aranhas, formigas, joaninhas, certos besouros, ácaros predadores (como os nematóides benéficos) e aves (como galinhas, sabiás). Em ambientes aquáticos, predadores de pulgas-d'água incluem certos peixes. Esses organismos consomem pulgas, controlando sua população, mas geralmente não resolvem infestações severas em casas, que exigem controle integrado com produtos químicos ou naturais específicos.