15 de março de 2026
OPINIÃO

Política não é futebol: na democracia, todos estão no mesmo time

Por Wellington Anselmo Martins | O autor é Mestre em Filosofia (Unesp)
| Tempo de leitura: 1 min

Em 2026, descobriremos o novo campeão mundial de futebol e quem será o Presidente da República no Brasil. Tal como nos esportes, as eleições são espaço de muitas disputas. Mas há uma distinção essencial: a paixão pode dominar o torcedor, mas não o eleitor.

O torcedor realmente apaixonado deve ser completamente leal à seleção brasileira, quer ela vença ou não. É um sentimento tribal, de pertencimento completo à camisa verde-amarela. Do outro lado do campo estão sempre os jogadores e torcedores adversários: aqueles que precisam ser vencidos, goleados, que devem ficar surdos com os nossos gritos de gol. Já o eleitor brasileiro, que também pode ser apaixonado pelas suas opiniões e por seu partido político, precisa principalmente de boas razões para escolher em quem votar. Nos debates, reflexões e críticas das eleições, os eleitores e políticos são livres para mudar de opinião, mudar seus votos e até mudar de partido. É a inteligência humana o grande craque das eleições: o drible democrático é sempre feito pelos bons argumentos, o gol é sempre de cabeça.

Portanto, na Copa do Mundo são a paixão e a bairrista lealdade absoluta que comandam os jogos, enquanto nas eleições democráticas são a razão e a liberdade crítica que devem fazer os gols. Quando as eleições acabarem, vença quem vencer, todos os cidadãos brasileiros precisam continuar no mesmo time e jogando a favor do Brasil.