15 de março de 2026
OPINIÃO

Por todas elas

Por Olynda Bassan - 2016 | Membro da Academia Bauruense de Letras
| Tempo de leitura: < 1 min

Nem boneca de luxo, nem
de louça.
Boneca de pano sem rosto,
deixada num canto,
inanimada,
no olhar dos saltimbancos
cegos.

Olhares desalmados,
anuviados de valores:
pigmentos do
machismo opressor.

Poema interrompido
nas palavras sequestradas,
nos versos da escolha
sonegada.
Livro fechado no chão, a
boneca
que não pode ser boneca...

Escrito na boneca de pano,
o poema visual do horror
exilado,
solitário, como se fosse de
alguma alma vagueadora,
sem paz, sem gozo no
avesso de uma lua sem luar.

Desnudo da dignidade.
Estou em um corpo
machucado,
besuntado pela nódoa da
inconcebível barbárie
humana.

O silêncio grita em cada
morte. Tudo é indigno a uma
boneca de carne.
No peito, o coração pulsa,
sofre e chora, sob o manto
escuro do desamparo.
Quem ouvirá?