Uma mulher de 42 anos, foragida desde a condenação por tortura contra os três enteados, foi presa na sexta-feira (13) na Rodovia SP-340, próximo a Mogi Mirim. A madrasta e o pai das crianças - hoje com 12, 13 e 15 anos - foram sentenciados em agosto de 2025 a seis anos de prisão em regime fechado pelos crimes cometidos entre junho de 2017 e julho de 2021.
De acordo com a Polícia Civil, a mulher estava acompanhada de um advogado no momento da abordagem. O defensor informou que seguia para uma delegacia em uma cidade distante de Campinas, para que ela pudesse se entregar, em razão de ameaças que vinha sofrendo. No entanto, agentes que realizavam patrulhamento receberam uma denúncia anônima, interceptaram o veículo e efetuaram a prisão.
O pai das crianças foi capturado em fevereiro deste ano no município de Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, as agressões físicas e psicológicas contra as crianças ocorriam diariamente. Além de serem espancados, os menores sofriam privação de alimentos e eram impedidos de visitar a mãe biológica nos dias estabelecidos pela Justiça.
De acordo com o Ministério Público, o filho mais velho relatou que ele e os irmãos eram punidos sempre que defendiam a mãe. Foi ele quem, tentando escapar da situação, começou a gravar as ações e enviar o material para a genitora. A mãe, então, acionou o Conselho Tutelar e a Polícia, dando início às apurações.
A mãe das crianças criava os três filhos sozinha até sofrer um grave acidente de trânsito. Ela perdeu um braço, ficou internada por longos período e perdeu o emprego. Segundo um familiar, a longa internação fez com que ela perdesse a guarda das crianças, que não foi restabelecida mesmo após sua recuperação. A mulher também possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, que, segundo relatos, já a havia espancado.