15 de março de 2026
OPINIÃO

O mundo gira, e a política roda

Por Zarcillo Barbosa | O autor é jornalista e articulista do JC
| Tempo de leitura: 3 min

Os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes fizeram uma lambança ao ultrapassar os limites éticos esperados de uma Corte Suprema e ocasionaram danos à República. O caso Banco Master, com Vorcaro e seus sicários, ainda vai ter muitos desdobramentos. A Polícia Federal está no segundo dos nove celulares pessoais do banqueiro.

O ideal seria que a própria corte auto resolvesse o problema. Se ela não o faz, a tarefa é transferida para o Senado, mediante a figura do impeachment. Politicamente essa solução mais drástica seria desinteressante para um governo em ano de eleição, porque daria alento à direita ao deslegitimar a condenação dos golpistas. Vorcaro mexeu com todos os poderosos da República, sem se importar com cores partidárias. No mundo dos políticos, muitos têm como certo que será inevitável sobrar uma parte da conta para os opositores de Lula. Fabiano Zettel, braço operacional de Vorcaro foi o maior doador individual de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. O governador de São Paulo defende-se dizendo que sua campanha teve mais de 600 doadores e seria impossível ficar analisando a procedência do dinheiro de cada um. No popular, "Cavalo dado não se olha os dentes".

A continuidade da prisão de Vorcaro foi decidida pela segunda turma do STF. Dias Toffoli, que estaria disposto a votar normalmente como se nada tivesse com o caso, resolveu dar-se por impedido "por questões de foro íntimo". Se a maioria mandasse soltar o banqueiro, o Supremo ganharia mais um degrau na escada da desmoralização.

O impacto sobre a candidatura Lula é inevitável, mesmo sem ligações diretas com o problema. Lula hoje é o "candidato favorito a perder". Em termos globais, todos os candidatos à reeleição encontram dificuldades eleitorais em cenários de polarização do debate público-político. O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, está empatado com Lula nas pesquisas de intenção de votos. Nem precisou sair da cela onde diariamente visita o pai, na Papudinha. O eleitorado sequer conhece o tom da sua voz. A desaprovação do governo Lula subiu de 41% em janeiro para 51% há três dias.

Lula não aprendeu a lição de Maquiavel que chamava a atenção do Príncipe sobre as dificuldades de se manter no poder quando as circunstâncias mudam. Fatores aleatórios levam frustrações a qualquer pretensão eleitoral. Em 2018 foi a facada em Juiz de Fora. Bolsonaro reduziu sua rejeição e reforçou o sebastianismo do "mito" salvador da Pátria. Foi o ano em que, com o desgaste da esquerda o eleitorado, na Europa e nas Américas resolveu experimentar o radicalismo dos líderes da direita. Donald Trump, o principal deles.

Em 2022, a situação já era diferente. Bolsonaro enfrentou a epidemia da Covid 19 negando a eficácia das vacinas. Eclodiu a guerra da Ucrânia. O petróleo disparou e a tentativa de segurar os preços dos combustíveis, por causa da reeleição, foi um erro. Trump também caiu por motivos semelhantes.

Neste ano, o mundo se defronta com a guerra iraniana. Lula zera as alíquotas do Pis-COFINS para o óleo diesel, e a Petrobras segura os preços defasados em 50%. Lula comete o mesmo erro de represar custos com finalidades eleitorais. Somente os subsídios ao diesel vão custar R$ 30 bilhões à sociedade, nos próximos doze meses.

O governo é navegado pelo mar. Não possui poder de agenda, ideias modernas e inovadoras capazes de despertar esperanças além das mesmices políticas. A sorte de Lula: os bons ares da economia, soprados desde o exterior, possibilitaram a desvalorização do dólar e a vinda dos investidores estrangeiros. Desemprego baixo e inflação dentro da meta foram frutos da conjuntura internacional, graças a Trump. Flávio, que era considerado o adversário mais fácil de derrotar, avança sobre setores independentes. O filho número 1, vacinado, tem possibilidade real de derrotar o petista.