16 de março de 2026
TECNOLOGIA

Em meio à expansão, empresas de Jundiaí já contam com biometano

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Planta de biometano em Paulínia é a maior do Brasil

O Governo de São Paulo vem impulsionando a expansão do biometano por meio de políticas públicas e regulamentações estratégicas. Atualmente, o estado de São Paulo conta com nove plantas de biometano autorizadas, responsáveis por uma capacidade de produção da ordem de 700 mil metros cúbicos por dia. Em Jundiaí, algumas indústrias instaladas já começaram a utilizar o biometano como fonte de energia em seus processos produtivos. Cidades próximas, como Valinhos e Cajamar, também já contam com empresas que adotaram o combustível em suas operações industriais.

Um dos exemplos em Jundiaí é a multinacional JDE Peet’s, responsável por marcas como Café Pilão, L’OR e Café do Ponto. A empresa anunciou que sua fábrica na cidade passou a operar com biometano a partir de 2026, em parceria com a Ultragaz. A planta é considerada uma das maiores do mundo na produção de café torrado e moído. Outro exemplo é a multinacional alemã Henkel, dona de marcas como Cascola, Loctite, Pritt e Schwarzkopf. A empresa firmou contrato para abastecer sua unidade em Jundiaí com biometano fornecido pela Gás Verde. O volume contratado é de 1,8 milhão de metros cúbicos por ano, suficiente para atender 100% da demanda de gás da planta industrial.

O uso do combustível renovável também se expande na região. Em Valinhos, a fábrica da Unilever passou a operar com biometano. Já em Cajamar, a Natura também adotou a tecnologia em suas operações.

O Jornal de Jundiaí questionou o Governo do Estado se há planos para expansão da utilização da tecnologia em Jundiaí e região e se a cidade tem as características necessárias para receber uma planta de biometano, mas não recebeu retorno até o fechamento da edição.

O biometano é um combustível renovável produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, como lixo doméstico, esgoto, esterco e resíduos da agroindústria. Ele pode ser usado em diversas aplicações, como abastecimento de veículos, geração de energia elétrica e uso em processos industriais, com redução na emissão de gases de efeito estufa.

O avanço dessa fonte energética tem sido impulsionado pelo Governo do Estado de São Paulo, que vem adotando políticas públicas e regulamentações voltadas à expansão do setor. Atualmente, o estado conta com nove plantas de biometano autorizadas, responsáveis por uma capacidade de produção de cerca de 700 mil metros cúbicos por dia, aproximadamente metade da produção nacional.

Parte dessa expansão foi reforçada com a inauguração da maior planta de biometano do Brasil, localizada em Paulínia, no início de março. Em recente entrevista, o governador Tarcísio de Freitas destacou o potencial do país no setor energético. “Uma das nossas vocações é a transição energética. O mundo precisa de parceiro confiável para gerar energia e nós podemos ser esse parceiro”, afirmou.

A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, também ressaltou que o estado está na vanguarda do desenvolvimento sustentável. “Do lixo, a gente gera biogás, gera biometano e abastece a indústria. Essa é a beleza de uma economia circular de verdade”, disse.

Em dezembro de 2025, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou uma norma que permite a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem impacto tarifário para outros usuários. O custo da operação passa a ser remunerado exclusivamente pelos fornecedores por meio da chamada TUSD-Verde, tarifa de uso do sistema de distribuição.

Para estimular o setor, o governo também criou incentivos como licenciamento ambiental simplificado, benefícios fiscais para veículos movidos a gás natural ou biometano e a plataforma Conecta Biometano SP, que reúne mais de 125 participantes entre produtores, distribuidores e comercializadores.

Um estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que o potencial de produção de biometano no estado pode chegar a 6,4 milhões de metros cúbicos por dia, com capacidade de gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.