A Polícia Civil apreendeu, nesta quarta-feira (11), grande volume de armas de fogo e munições durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão relacionado a uma investigação de eventual crime de transfobia em Bauru. A ação foi conduzida pela 1.ª Delegacia de Investigações Gerais (1.ª DIG) da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Bauru e um homem, que não teve a identidade divulgada, foi preso em flagrante e ficou à disposição da Justiça, aguardando apresentação na audiência de custódia.
O caso teve início quando um casal de mulheres vizinhas do suspeito relatou ter sofrido diversas ofensas discriminatórias, inclusive agressão física, tudo em razão, supostamente, da identidade de gênero delas. De acordo com a polícia, as vítimas narraram um histórico de perseguição e humilhações, com xingamentos de cunho transfóbico/homofóbico e comportamento agressivo por parte do vizinho.
Ainda segundo a Polícia Civil, o casal e testemunhas contaram que o investigado afirmava manter armas de fogo em sua residência, justificando que seria um Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), e que costumava comentar com vizinhos sobre os armamentos, o que teria causado temor na comunidade local e nas vítimas do suposto crime de homofobia investigado.
A partir das informações levantadas, policiais civis da DIG constataram que o suspeito possuía quatro armas registradas em seu nome, todas com os registros vencidos. Com autorização da Justiça, nesta quarta-feira, as equipes da especializada cumpriram mandado de busca e apreensão no imóvel dele.
Durante as diligências, foram localizadas duas espingardas, de calibres .36 e .22; duas carabinas, de calibres .22 e .38; três revólveres, sendo dois de calibre .38 e um de calibre .32; além de munições de calibre .38, centenas de projéteis para recarga, pólvora e espoletas destinadas ao mesmo fim.
O investigado foi conduzido à sede da DIG, onde foi autuado em flagrante pelo crime de posse irregular de arma de fogo. Segundo a Polícia Civil, as investigações prosseguem para apurar eventual ligação entre o armamento apreendido e as denúncias de transfobia e homofobia relatadas pelas vítimas. A corporação reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima e que casos de crimes motivados por preconceito são tratados com prioridade pela instituição.