10 de março de 2026
EM BUSCA DE RESPOSTA

Bauru: mãe fica 12 horas em trabalho de parto e bebê nasce morta

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Lilian Grasiela
Tamires Chaves Brancaglião, de 37 anos, mostra recordação da filha Sara

Após aproximadamente 12 horas em trabalho de parto na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, Tamires Chaves Brancaglião, de 37 anos, não pôde retornar para casa com a filha Sara. Mesmo com 40 semanas de gestação (requisito previsto em lei estadual e resolução do Conselho Federal de Medicina), ela diz que não teve respeitada sua opção pela cesárea, procedimento que só foi feito quando os batimentos cardíacos da bebê já não existiam. Além da perda da filha, Tamires sofreu graves lesões internas e ficou internada por nove dias. Em luto, a família busca respostas e cobra uma apuração rigorosa para saber se houve falhas no atendimento.

Em casa desde domingo (8), Tamires está se recuperando de uma cirurgia e terá de usar sonda vesical por 13 dias. Além da dor física, causada pelo rompimento do útero, perfuração da bexiga e hemorragia intensa, ela, que tem uma filha de oito anos, busca forças para lidar com a dor da ausência da caçula, da qual tem como lembrança apenas um papel com as marcas das plantas dos pezinhos e uma mecha de cabelo.

Tamires diz que começou a sentir contrações na manhã de 27 de fevereiro, com 40 semanas e dois dias de gestação, após uma gravidez tranquila, sem intercorrências. A ida para a Maternidade ocorreu às 14h, com avaliação no Pronto Atendimento por volta das 16h, que indicou três centímetros de dilatação. Após duas horas na recepção, e sangramento, foi para ala de parto normal.

Ela revela que, nesse momento, já pediu para que fosse submetida a uma cesária, mas a médica explicou que tentaria induzir o parto normal pelo fato de mãe e filho estarem bem e em razão do colo do útero estar "fino". Apesar do aumento das dores e da dilatação, o nascimento não ocorria. Após a troca de plantão, às 19h, Tamires autorizou que uma enfermeira rompesse sua bolsa.

Com dores cada vez mais intensas, a gestante pediu analgesia (técnica que alivia dores agudas sem causar a perda de consciência). Para isso, teve de mudar de quarto, e o procedimento só ocorreu por volta das 23h, com a chegada de um anestesista, e quando a dilatação era de nove centímetros. Ela afirma que, ao solicitar novamente a cesárea, ouviu que havia três gestantes na sua frente.

Após cerca de uma hora, com o retorno das dores, enfermeiras tentaram novamente parto normal. Tamires conta que a cabeça da filha chegou a ser vista, mas recuou e, apesar dos esforços, o parto não ocorreu. De acordo com ela, após novo exame de toque, a enfermeira tentou ouvir os batimentos da bebê, sem sucesso. O médico cirurgião foi chamado às pressas e ela seguiu para cirurgia.

No centro cirúrgico, foi anestesiada e, em cerca de 15 minutos, Sara veio ao mundo. Infelizmente, já estava em óbito. Segundo a mãe, foram cerca de 40 minutos de tentativa de reanimação por parte da equipe. Ao mesmo tempo, com lesões graves no útero e na bexiga, Tamires perdia muito sangue e, sedada, aguardou a chegada de um urologista para ser submetida a cirurgia de urgência.

Somente neste domingo, após receber cinco bolsas de sangue e ficar nove dias internada, é que ela recebeu alta. "Se tinha três emergências, por que quando minha bebê parou de respirar o médico apareceu rápido", questiona Tamires. "A gente fez de tudo para que a lei fosse cumprida", lamenta o avô da bebê, Edson Luiz de Lima Brancaglião. "Se ela tivesse sido atendida, a Sara estaria aqui com a gente".

Além de registrar um boletim de ocorrência (BO), Edson, que foi o responsável pelos trâmites do velório da neta, informou que reuniu-se com a diretoria da Maternidade e com uma assistente social do hospital para buscar respostas para o que ocorreu, mas as informações, segundo ele, teriam sido protocolares e evasivas. "Só a gente sabe a dor que estamos sentindo. É uma coisa imensurável", declara.

Resposta

Em nota, a Maternidade Santa Isabel informou que lamenta profundamente o fato, que determinou a abertura imediata de uma sindicância interna sobre o ocorrido e que Tamires recebeu alta no domingo (8) com quadro de saúde estável. "A diretoria da unidade reforça que está à disposição da paciente e dos familiares para prestar os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido", declarou.

A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) para solicitar informações sobre eventual apuração em andamento sobre a morte da bebê e aguarda um posicionamento. Assim que a resposta for enviada, será incluída no texto.