09 de março de 2026
SAÚDE

Bauru não alcança 95% de cobertura vacinal contra o HPV

Por Laura Reis - estágio sob supervisão | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Essa porcentagem de cobertura é considerada adequada para ampliar a proteção coletiva contra o vírus

Dados de 2025 divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde mostram que a cobertura vacinal de meninos de 9 a 14 anos contra o HPV (papilomavírus humano) subiu para 74,78%, antes era de 47,35% em 2022. Entre meninas da mesma faixa etária, o índice também apresentou melhora, passando de 81,85% para 86,76% no mesmo período. Apesar do avanço, os números ainda estão abaixo da meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que é de 95%.

Em Bauru, o público estimado de crianças de 9 a 14 anos é de 26.827. Em 2025, apenas 19.714 foram vacinadas , sendo 10.830 meninas e 8.884 meninos. O público-alvo inclui principalmente crianças dessa faixa etária, mas adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina também podem se imunizar até junho de 2026. A cidade não atingiu a meta de 95% de cobertura vacinal estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em 2025, essa porcentagem de cobertura é considerada adequada para ampliar a proteção coletiva contra o vírus.

“Ninguém pode ficar de fora das campanhas de conscientização. Eu incluo os homens, que também sofrem com tumores causados pelo HPV”, ressalta Luisa Villa, doutora em bioquímica e chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), em entrevista à Agência FAPESP.

A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, tem intensificado estratégias para ampliar a cobertura vacinal, com ações de vacinação em escolas, incentivo à imunização nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF), além de busca ativa de adolescentes que ainda não receberam a vacina. Também são realizadas campanhas de orientação às famílias sobre a importância da imunização na prevenção de doenças associadas ao HPV.

Entre os fatores que influenciam a baixa adesão estão desinformação, dúvidas sobre a vacina, desconhecimento da faixa etária indicada e baixa percepção de risco em relação às doenças causadas pelo HPV. Vacinas voltadas para adolescentes costumam apresentar menor cobertura quando comparadas às aplicadas na primeira infância, período de maior acompanhamento da caderneta de vacinação.

“Hoje existem movimentos de desinformação importantes no país, mas a mulher presta muita atenção nas informações e conhece seu corpo. O problema é que às vezes ela não consegue ajuda no momento necessário. Às vezes sangra um ou dois anos e aguenta até que a dor a faz entrar em um ônibus , que demora horas pra chegar e, quando chega a um centro de saúde, muitas vezes já é tarde demais”, alerta Luisa Villa.

O HPV é responsável por diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, pênis, ânus e orofaringe. A transmissão ocorre por contato direto com pele e mucosas infectadas e por via sexual. A vacinação contra o vírus é gratuita e realizada nas Unidades Básicas de Saúde de todo o estado, com aplicação em dose única para crianças e adolescentes.