Pesquisadores do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, da Universidade Estadual de Campinas, concluíram após cerca de três anos o desenvolvimento de uma ferramenta capaz de calcular o balanço de emissões de carbono na cultura do café.
O projeto foi realizado em parceria com a Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), no sul de Minas Gerais. A solução permite contabilizar emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o sequestro de carbono em todas as etapas da cadeia produtiva, desde o uso de fertilizantes e combustível até o beneficiamento do café.
Segundo a coordenadora do projeto, Renata Gonçalves, o modelo é o primeiro desenvolvido especificamente para a cafeicultura. Ele se baseia em protocolos internacionais do GHG Protocol, voltados para inventários corporativos de emissões, mas adaptados à realidade agrícola.
O pesquisador João Paulo da Silva explica que uma das principais etapas foi identificar com precisão o carbono estocado no solo, por meio de coletas em diferentes áreas das propriedades e análises laboratoriais. Os dados foram cruzados com o banco de informações da Cooxupé, que reúne registros históricos de análise de solo.
A ferramenta foi desenvolvida para o café arábica, predominante em Minas Gerais. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado possui mais de 1 milhão de hectares cultivados, sendo 99% voltados a essa variedade.
A iniciativa integra o programa Protocolo de Sustentabilidade Gerações, da Cooxupé, que busca alinhar produção agrícola a metas econômicas, sociais e ambientais.
Além da questão ambiental, há também pressão de mercado. Segundo os pesquisadores, compradores internacionais têm exigido comprovação de práticas sustentáveis e mitigação de emissões para manter contratos de exportação.
O manejo sustentável pode influenciar até mesmo o sabor da bebida. De acordo com João Paulo da Silva, solos com maior teor de matéria orgânica melhoram a disponibilidade de nutrientes para as plantas, reduzindo a necessidade de adubação química e favorecendo a qualidade do grão.
A próxima etapa será a formação de técnicos multiplicadores para orientar produtores na aplicação da ferramenta.
Também participaram do projeto os pesquisadores Priscila Coltri, Eduardo Assad, Jurandir Zullo Junior e Maria Leonor Lopes Assad.