A franquia "Pokémon" chegou a 30 anos de sucesso global, na sexta-feira (27), apoiada em uma estratégia multimídia bem azeitada, que inclui animações, brinquedos, produtos licenciados e, claro, videogames. No entanto, a peça central dessa valiosa engrenagem começa a dar sinais de desgaste. Desde o lançamento no Japão das versões "Red" e "Green" de "Pokémon" para Game Boy, em 27 de fevereiro de 1996, os games de RPG protagonizados pelos "monstrinhos de bolso" - "pocket monsters", de onde vem o nome- são a base desse império do entretenimento.
Os jogos de videogame funcionam como matéria-prima para os desenhos animados e cards colecionáveis, que, juntos, formam o tripé que sustenta um negócio que já ultrapassou a marca de US$ 100 bilhões -cerca de R$ 514 bilhões- em receitas, fazendo de "Pokémon" a franquia de mídia de maior arrecadação da história.
Nos últimos anos, porém, a série principal de jogos "Pokémon" vem sendo alvo de críticas por problemas técnicos e de desempenho, além de apresentar gráficos datados em comparação com outros games.
Os problemas ficaram evidentes após o lançamento de "Pokémon Scarlet e Violet", em novembro de 2022. No entanto, essas questões já vinham sendo observadas desde a chegada da série ao console Nintendo Switch, que permite gráficos mais avançados e jogos mais complexos do que os portáteis do passado.
Prova disso é que, excetuando o spin-off "Pokémon Legends: Arceus", nenhum outro título da franquia superou nota 80 no Metacritic, principal site agregador de críticas para os videogames, algo banal na época em que os jogos eram lançados para Game Boy e Nintendo DS.
Essa aparente queda de qualidade acontece em paralelo ao aumento nos custos e no tempo de desenvolvimento de jogos "triple A" -como são chamados os títulos com grande investimento. Enquanto no passado esses games eram feitos em até quatro anos, hoje é comum que eles sejam lançados após cinco ou seis anos de trabalho.
E esse é um tempo que "Pokémon" não tem.