22 de fevereiro de 2026
BEM-ESTAR

Um conselho de coração

da Redação
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Os alimentos ultraprocessados já foram associados a diversos riscos à saúde. Agora, um novo estudo foca no mal que eles causam ao coração. De acordo com o trabalho publicado na revista científica "The American Journal of Medicine", pessoas com maior ingestão de comidas deste tipo apresentam um risco estatisticamente significativo e clinicamente importante de 47% maior de sofrer de doenças cardiovasculares.

Alimentos ultraprocessados são produtos industrialmente modificados, cheios de gorduras, açúcares, amidos, sais e aditivos químicos, como emulsificantes. De refrigerantes a salgadinhos e carnes processadas, eles são desprovidos de nutrientes naturais e introduzem muitos ingredientes que nossos corpos nunca encontraram naturalmente.

Estudos anteriores demonstraram que pessoas que consomem grandes quantidades de ultraprocessados apresentam maior risco de síndrome metabólica, um conjunto de fatores como sobrepeso e obesidade, hipertensão, dislipidemia e resistência à insulina, além de níveis elevados de proteína C-reativa de alta sensibilidade (PCR-as), um marcador sensível de inflamação e um preditor preciso de doenças cardiovasculares futuras, principalmente ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). No entanto, os dados sobre se o consumo elevado desses alimentos aumenta o risco de doenças cardiovasculares são escassos.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Charles E. Schmidt, da Universidade Atlântica da Flórida (FAU), exploraram essa possível relação examinando dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos, que coleta informações sobre saúde, dieta e estilo de vida de uma grande amostra aleatória de adultos norte-americanos. Eles analisaram os dados de 4.787 participantes com 18 anos ou mais, entre 2021 e 2023.

"As descobertas do nosso estudo, baseado em uma grande amostra nacionalmente representativa, mostram que aqueles com a maior ingestão de alimentos ultraprocessados apresentam um risco estatisticamente significativo e clinicamente importante 47% maior de ter doenças cardiovasculares", diz Charles H. Hennekens, autor sênior e consultor acadêmico da Faculdade de Medicina Charles E. Schmidt.

Perigo maior também de câncer colorretal

Os pesquisadores também abordam as taxas crescentes de câncer colorretal nos EUA e no Brasil, particularmente entre adultos mais jovens, já que os fatores de risco são semelhantes aos das doenças cardiovasculares.

"O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados pode ser um fator contribuinte, juntamente com outras influências alimentares e de estilo de vida que afetam uma série de doenças gastrointestinais comuns e graves", afirma Allison H. Ferris, médica, coautora, professora e chefe do Departamento de Medicina da FAU.