22 de fevereiro de 2026
COLUNISTA

Assimetria facial, não adie o diagnóstico

Por Alberto Consolaro |
| Tempo de leitura: 3 min
Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC
Exemplos de assimetrias faciais indolores: displasia fibrosa dos maxilares (A), sarcoma ósseo (B), ameloblastoma (C) e hemihipertrofia facial (D)

Se pegar o seu lado mais lindo e juntá-lo com ele mesmo, espelhando-o, verás sua face de uma forma quase irreconhecível e “feia”. A maior lindeza está no lado esquerdo, considerado o mais expressivo. Uma face humana espelhada é muito estranha, artificial e olhar para ela nos incomoda, pois o cérebro está acostumado às assimetrias sutis. A personalidade e graça está na face levemente assimétrica, o que parece confirmar que a imperfeição faz parte da natureza humana.

Nos acostumamos com assimetria natural sutil e estável como as faces do Tom Cruise e Brad Pitt. Mas, têm pessoas que percebem que um dos lados está mudando sua forma e volume. Se for você, não acredite que seja normal, peça logo a opinião de um profissional.

ASSIMETRIA FACIAL E LESÕES

Na parte interna da maxila e da mandíbula, têm origem doenças assintomáticas que nem percebemos, pois não temos raios nos olhos para se ver dentro do osso. O ideal seria que todos fizessem um exame dos maxilares todos os anos com radiografias e ou tomografias, mas isto ainda não é possível por vários motivos, incluindo resistências culturais.

Uma forma de checar estas assimetrias indolores é comparar com as fotografias de meses ou anos atrás. Falo das assimetrias indolores, pois se tiver dores, deve-se procurar imediatamente o profissional da boca que irá pedir exames imaginológicos como radiografias, tomografias, ressonâncias e ultrassom.

A assimetria facial indolor aumentando, deforma a face média e ou inferior e os dentes podem ficar com posições alteradas. Confira se a linha media da face, coincide com a linha média dos arcos dentários entre os incisivos centrais. Cheque se os dentes da área estão com mobilidade ao pressioná-los.

Dentro da maxila e mandíbula são comuns os cistos e neoplasias ou tumores benignos e, mais raramente, as neoplasias malignas. São assimetrias indolores que só depois da fase inicial e média, é que se manifestam como assimetrias, pois crescem de dentro para fora, expandindo os limites mais externos dos maxilares chamados de corticais. Entre estas doenças as mais frequentes são o queratocisto odontogênico e outros cistos, ameloblastoma, fibroma odontogênico, displasia fibrosa dos maxilares, lesão de células gigantes, etc.

Tem-se também cistos e neoplasias benignas que crescem por dentro do osso, reabsorvendo-o assim como as raízes dos dentes de forma silenciosa, insidiosa, sem manifestarem-se como assimetrias faciais. Só tardiamente, é que expandem as corticais deformando a face. Isto acontece com certos cistos, inclusive os queratocistos e os ameloblastomas em seu início, ou mais comumente com tumores malignos como os sarcomas e carcinomas intraósseos.

As assimetrias com dor, leva a pessoa a procurar o profissional e podem ter origem nos dentes como os abscessos, osteomielites e pericoronarites, ou ser até caxumba. Há ainda casos de assimetrias faciais e naturais sem lesões, que incomoda a pessoa desde adolescência e é melhor procurar um ortodontista e cirurgião para corrigir a estética e ou função.

REFLEXÃO FINAL

Apareceu uma assimetria facial indolor e está desconfiado? Procure um profissional e peça uma análise com radiografias e tomografias. Atualmente, esses exames são muito acessíveis. Pode-sefazer um diagnóstico mais cedo, mais precoce, o que faz o tratamento ser muito menos mutilante e até nem deixar marcas ou cicatrizes depois de alguns meses.

Uma ressalva importante: sem exames de imagem não se consegue avaliar o que está dentro do osso e nas raízes dentárias. Adiar com a frase “passe aqui daqui seis meses, sem pedir imagens”, pode ser uma prática muito arriscada e custar mutilações posteriores. O adiar é vizinho do não fazer.