A Prefeitura de Bauru vai começar a cobrar a tarifa cheia (100%) de lixo já a partir da assinatura do contrato de concessão (Parceria Público Privada: PPP). A informação foi dada pela secretária do Meio Ambiente (Semab), Cilene Bordezan, na audiência pública do programa, realizada na noite de quinta-feira (19), na sede das Secretarias de governo, na Vila Falcão.
"Será cobrada a tarifa cheia de lixo no início do contrato para não afetar a renúncia de receita", respondeu Bordezan. Segundo ela, a negociação para começar a cobrança com 50% surgiu durante apresentação do projeto de lei, no final do ano passado. Assim que veio a elaboração do projeto, a decisão foi por esperar a cobrança mesmo com a lei aprovada, respondeu Cilene à reportagem na audiência pública. Contudo, reforçamos que era necessário esclarecer a questão porque a secretária havia anunciado que o governo iria cobrar 50% da tarifa de lixo até a entrega da usina de tratamento.
Mas como a lei dá plenos poderes à prefeita, esta agora pode implementar as medidas como quiser. E por decreto, inclusive.
O governo apresentou que o custo para coletar, transportar e tratar o lixo é de R$ 90 milhões. Este é o valor da cobrança anual prevista para a tarifa no início. Ou R$ 9,975 milhões mensais, como inserido no estudo assinado pela Fundação do Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). "O Município assume o contrato para pagar a conta dos serviços da PPP", afirma Bordezan.
Já os serviços de limpeza pública também integrantes do contrato de PPP somam, neste início, R$ 29 milhões. O Município vai dividir o rateio orçamentário dessa despesa entre as Secretarias. Os serviços são de limpeza de bueiros, varrição, pintura de guias e cata galho.
A decisão de cobrar tarifa cheia de lixo antes do serviço de tratamento ser entregue (estabelecido para o início do quinto ano de contrato) desagrada vereadores, sobretudo da base aliada no Poder Legislativo.
OUTROS PONTOS
A secretária do Meio Ambiente (Semab) também definiu que serão necessários ao menos 7 dias para analisar e responder a requerimentos e contestações a minuta. O prazo da consulta pública venceu também na quinta-feira.
Bordezan ainda anunciou que o Município escolheu a ARES PCJ, de Americana, como a Agência Reguladora do contrato. Ela será paga para dizer todo ano se os serviços cumprem o edital e definir reajuste - pelo IPCA mais outros componentes, como o dissídio anual dos trabalhadores e outros custos de operação (insumos).
Também questionamos o governo sobre a possibilidade do edital não atrair grandes 'players' do mercado - pelo fato de o investidor não ter acesso vinculado à tarifa de lixo. Diferente da concessão de iluminação. Onde a garantia de recebimento vinculado da CIP - contribuição de iluminação pública - assegura o pagamento e, com isso, reduz custo de risco no contrato.
O coordenador da Fipe, Mário Silvério, explicou que "a PPP administrativa não tem receita direta e nem fundo garantidor. Além disso, os serviços de limpeza não são divisíveis (não há como atribuir quantidade e rateio). Mas o modelo incluiu depósito de 3 parcelas mensais de garantia e multa para cobrir isso", defende.
O investidor não quer depender de prefeito (a) para receber pelo serviço. Por isso, os custos com limpeza pública são o "jabuti" da PPP de Bauru. Para se ter ideia dessa preocupação, representantes da Assenag e Codese perguntaram, nessa discussão, qual é o valor desse custo de risco - por falta de cobertura. O governo não explicou. No estudo da Fipe, porém, está lançado como despesa de risco, garantia e seguro o total de R$ 1,144 bilhão.
O edital tem outras lacunas. Institui aporte de dezenas de milhões, no tempo, para fomentar Cooperativas de Recicláveis. Mas não explica a fonte de arrecadação por meio de Fundo Municipal. O governo disse que vai responder às questões apresentadas.
As cooperativas pediram modificações, como a garantia de que todo reciclável seja receita do setor. Mas, na prática, isso não vai ocorrer. Primeiro porque a instalação de contêineres nas ruas vem junto com compactação dos materiais coletados.
Segundo porque, conforme o governo, as receitas extras serão repartidas em 50% entre Município e o concessionário. O edital cita três itens: créditos de carbono, geração de energia e recicláveis.
Outras dúvidas foram elencadas na audiência, como a cobrança mais pesada para quem depende da água para sua atividade - como lavacar, lavanderia, fabricante de gelo e outras indústrias que têm o líquido como principal matéria-prima (bebidas, por exemplo).
Já o caso dos Grandes Geradores - que pagam pelo lixo produzido já por meio de lei própria, Cilene anunciou que a regra vai ser revisada. Mas não adiantou detalhes.