15 de fevereiro de 2026
PETS

Distúrbios gastrointestinais: importância do cuidado nos pets

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

As alterações gastrointestinais estão entre os quadros mais frequentes na rotina veterinária e representam um desafio recorrente nos atendimentos aos pets. Estimativas globais* indicam que esses distúrbios são o principal motivo das consultas, correspondendo a cerca de 27% dos atendimentos, reforçando a relevância do tema e a necessidade de abordagens nutricionais adequadas.

Mais do que um sistema responsável pela digestão, o trato gastrointestinal exerce funções fundamentais para a saúde e o bem-estar dos animais. Ele atua diretamente na digestão e absorção de nutrientes, no equilíbrio hídrico e eletrolítico, na proteção imunológica do organismo e no suporte ao microbioma intestinal.

SISTEMA DIGESTIVO

O sistema digestivo de gatos e cães é composto pela cavidade oral, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso, além de órgãos como fígado e pâncreas, que atuam de forma integrada. Nesse contexto, o microbioma intestinal desempenha papel central, abrigando bilhões de microrganismos benéficos envolvidos na digestão, na produção de vitaminas e na defesa contra agentes potencialmente nocivos. Alterações nesse equilíbrio podem comprometer a função digestiva e favorecer processos inflamatórios.

As condições gastrointestinais englobam quadros que interferem na digestão adequada ou no trânsito intestinal, dificultando a absorção eficiente de nutrientes essenciais. Esses quadros podem se manifestar de forma aguda, com início súbito e maior risco de desidratação, ou de forma crônica, quando persistem ou se repetem ao longo do tempo, impactando o escore de condição corporal e a qualidade de vida do animal, além de demandarem acompanhamento clínico contínuo.

CAUSAS E SINAIS

Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento dessas alterações estão a ingestão de alimentos inadequados, infecções virais, bacterianas ou parasitárias, doenças inflamatórias intestinais, doenças de base: como alterações hepáticas e pancreáticas -, reações adversas a componentes da dieta e a disbiose, caracterizada pelo desequilíbrio do microbioma intestinal.

Os sinais clínicos mais comuns incluem vômitos, diarreia e constipação, além de alterações no apetite, perda de peso, flatulência e mudanças no aspecto das fezes, que representam um importante indicador da saúde digestiva. A identificação precoce desses sinais é essencial para o diagnóstico adequado e para a definição da melhor estratégia de manejo pelo Médico-Veterinário.

Gastroenterites agudas:

Geralmente inespecíficas, envolvendo vômito e diarreia.

Indiscreção alimentar: Ingestão de lixo, corpos estranhos ou alimentos proibidos.

Parasitas intestinais:

Verminoses são causas comuns, exigindo vermifugação periódica.

Estresse e mudanças

na dieta:

Alterações drásticas na alimentação ou ambiente.

Doenças crônicas:

Doença Inflamatória Intestinal (DII) e pancreatite.

IMPACTO E TRATAMENTO

Frequência:

Em cães, doenças GI correspondem a até 43% dos atendimentos, muitas vezes seguidas por problemas dermatológicos e doenças do carrapato.

Apoio Nutricional:

Dietas leves, de fácil digestão e terapêuticas são essenciais para o manejo, ajudando a acalmar o sistema digestivo.

PREVENÇÃO

O controle sanitário, como a coleta imediata de fezes, reduz a contaminação e a reinfecção.

As manifestações clínicas, como diarreia e vômito, são visíveis, o que leva à rápida procura por atendimento especializado, reforçando a importância do acompanhamento do médico-veterinário.

NUTRIÇÃO

Nesse contexto, a alimentação desempenha papel central como parte do suporte clínico a esses quadros. Em muitos casos, a adaptação da dieta é uma das primeiras recomendações no processo de investigação e tratamento, com o objetivo de compensar a digestão comprometida, favorecer a absorção de nutrientes e contribuir para a recuperação do animal.