14 de fevereiro de 2026
OPINIÃO

IA: A calculadora que fingimos ser autor de textos

Por Wellington Anselmo Martins - Mestre em Comunicação (Unesp) |
| Tempo de leitura: 1 min

Texto costuma ter diversas definições, mas é comum relacioná-lo a sentido e intenção. Por isso, texto tem a ver com contexto: quem negocia e atribui sentido é o ser humano com outros seres humanos, assim como quem tem intenção ou interesse na comunicação social realizada é também o ser humano.

Diante disso, como aceitar que, realmente, a inteligência artificial (IA) gera textos? A IA, a exemplo do popular ChatGPT, está mais para uma geradora de cálculos em forma de palavras. São análises estatísticas expostas de modo verbal — não textos, no sentido forte e humano do termo.

Quem gera o texto é o ser humano. Seja escrevendo diretamente com caneta no caderno, com Word no computador ou na interface de uma IA: quem gera texto é sempre o ser humano.

No caso do uso de IA, é a pessoa que dá a ordem (prompt), depois atribui o sentido (aberto à negociação no contexto social humano, entre autor e leitor humanos) e, por fim, é a pessoa quem confere a intenção ao publicar (ao comunicar o texto entre seres humanos, na sociedade).

Portanto, parece existir um exagero ao afirmar que IAs estão gerando textos. É como se textos passassem a ser entendidos, de modo mais pobre, como mera sintaxe, mero cálculo ou simples estrutura: aspectos formais — calculadoras, robôs, programação, reprodução e indiferença.

No entanto, como ressaltamos aqui, o conceito mais profundo de texto está relacionado a contextos semânticos, sentidos humanos negociados e intencionalidade ao gerar e comunicar textos: aspectos de forma e conteúdo — poesia, filosofia, liberdade, criação e humanidade.