A La Niña, que derruba temperaturas ao redor do planeta, está chegando ao fim. Há 60% de chance de que o fenômeno se encerre entre fevereiro e abril de 2026, segundo a Noaa (sigla em inglês para Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), principal agência dos EUA de ciência climática e meteorologia.
De acordo com o relatório do órgão, divulgado na última quinta-feira (12), a Terra deve entrar num período de estabilidade climática após o término do La Niña. Essa neutralidade deve durar até o final do inverno no hemisfério sul (probabilidade de 56%).
A atual La Niña já dura quatro meses e teve seu início oficializado pela Noaa em outubro passado.
O fenômeno ocorre quando as águas do oceano Pacífico na altura da linha do Equador resfriam mais do que o normal. Já o El Niño é caracterizado pelo oposto, ou seja, o aquecimento do Pacífico equatorial. Quando as temperaturas na região estão dentro da média, cientistas consideram que há neutralidade climática.
Ainda de acordo com a Noaa, há uma chance de 50% a 60% de formação de El Niño a partir de agosto. No entanto, a agência pondera que há uma incerteza considerável dos modelos climatológicos usados, e as previsões feitas nesta época do ano tendem a ter menor precisão.
"Condições de seca começaram a aparecer em partes do sudeste da Austrália e uma transição para o El Niño pode levar ao agravamento das condições de seca e a problemas para a próxima safra", afirma Jason Nicholls, principal meteorologista da AccuWeather.
"A transição da La Niña deve significar mais chuva na Argentina e menos chuva no centro-norte do Brasil", diz Donald Keeney, meteorologista agrícola da Vaisala Weather, acrescentando que o enfraquecimento do fenômeno climático pode reduzir as chuvas no sudeste da Ásia.