14 de fevereiro de 2026
BEM-ESTAR

Emagrecer após a menopausa é mais difícil?

da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Especialista explica como as mudanças hormonais influenciam o metabolismo e quais cuidados podem ajudar as mulheres no controle de peso nessa fase

O corpo feminino não responde da mesma forma ao controle do peso em todas as etapas da vida. Esse cenário se insere em um quadro mais amplo: segundo o Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, 62,6% dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso, e a obesidade já atinge 25,7% da população, mantendo a tendência de crescimento observada nas últimas décadas.

Entre as mulheres, essa etapa da vida é um dos momentos em que o controle do peso se torna mais desafiador, não apenas por questões de rotina, mas por alterações biológicas próprias do período

Segundo Fernanda Lopes, nutricionista e profissional da Six Clinic, iniciativa 100% online voltada ao cuidado de pessoas com obesidade e sobrepeso, a queda do estrogênio tem papel central nessa dinâmica.

"Esse hormônio ajuda a regular a distribuição de gordura e o gasto energético. Com a diminuição da produção natural do estrogênio, há desaceleração do metabolismo basal e alterações na forma como o corpo passa a armazenar gordura", explica.

O QUE MUDA NO CORPO?

Além das alterações hormonais, ocorre perda progressiva de massa muscular. "A partir dos 40 anos já começamos a perder musculatura, e com a queda hormonal esse processo se acelera. Como o músculo é um dos tecidos que mais consome energia, sua redução faz com que o consumo energético em repouso também diminua", afirma.

Essa combinação contribui para uma redistribuição de gordura corporal, que tende a se concentrar mais na região abdominal, condição associada a maior risco metabólico. O sono e o estresse também influenciam esse contexto.

"Dormir mal desregula hormônios ligados à fome e à saciedade, como grelina e leptina, e o aumento do cortisol está associado ao acúmulo de gordura", explica.

Ainda, segundo os dados do Vigitel 2025, 31,7% dos adultos apresentam pelo menos um sintoma de insônia, com prevalência maior entre mulheres (36,2%) do que entre homens (26,2%), reforçando o impacto do descanso insuficiente na regulação do peso.

Diante desse cenário, o cuidado com o peso precisa ser adaptado à nova realidade metabólica.


Aumenta risco de depressão?

A menopausa está associada à redução do volume de massa cinzenta em regiões-chave do cérebro, bem como ao aumento dos níveis de ansiedade e depressão e a dificuldades para dormir, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. O estudo, publicado na revista científica Psychological Medicine, descobriu que a terapia de reposição hormonal não parece atenuar esses efeitos.

A menopausa é um período crucial na vida de uma mulher, quando a menstruação cessa devido à queda dos níveis hormonais. Ela geralmente afeta mulheres entre 45 e 55 anos, período em que podem apresentar ondas de calor, baixo astral e problemas de sono, e já foi associada ao declínio cognitivo, como déficits de memória, atenção e linguagem.

Para combater esses efeitos, muitas mulheres recebem prescrição de terapia de reposição hormonal. No entanto, o conhecimento sobre os efeitos da menopausa e do uso subsequente dessa terapia no cérebro, na cognição e na saúde mental ainda é limitado.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge analisaram dados de quase 125 mil mulheres do UK Biobank. Os resultados mostraram que mulheres na pós-menopausa apresentaram maior probabilidade, em comparação com aquelas na pré-menopausa, de terem procurado ajuda médica para ansiedade, nervosismo ou depressão, e de obterem pontuações mais altas em questionários sobre sintomas depressivos. Da mesma forma, apresentaram maior probabilidade de terem recebido prescrição de antidepressivos.

Embora as mulheres no grupo de terapia hormonal apresentassem maior ansiedade e depressão em comparação com o grupo sem a reposição, análises posteriores mostraram que essas diferenças nos sintomas já estavam presentes antes da menopausa.

A menopausa também parece ter um impacto na cognição. Mulheres na pós-menopausa que não faziam terapia de reposição hormonal apresentaram tempos de reação mais lentos do que aquelas que ainda não haviam entrado na menopausa ou que faziam reposição hormonal. No entanto, o estudo não mostrou diferenças significativas entre os três grupos em relação às tarefas de memória.

Três estratégias

1. Manter a musculatura ativa é prioridade

"A perda muscular se acelera nesse estágio, e isso influencia diretamente o gasto energético. Quando essa estrutura diminui, o corpo passa a consumir menos energia em repouso. Por isso, a ingestão adequada de proteínas ao longo do dia e a prática regular de exercícios de força são fundamentais", orienta Fernanda. A musculatura funciona como um motor metabólico: quanto mais preservada, maior o consumo de energia, mesmo fora dos treinos.

2. Dietas muito restritivas podem piorar o metabolismo

"Muitas mulheres reduzem demais a alimentação quando percebem dificuldade para emagrecer, mas isso pode ter efeito contrário. Cortes muito agressivos contribuem para a perda muscular, e o corpo responde economizando energia, o que desacelera ainda mais o gasto calórico", alerta a nutricionista. O ideal é uma abordagem equilibrada, que mantenha nutrientes suficientes para preservar o funcionamento corporal.

3. A importância do suporte profissional

Para Fernanda, o ponto principal é que o corpo muda - e o plano também precisa mudar. "Após essa etapa, o emagrecimento tende a ser mais lento, e a frustração pode levar a decisões precipitadas, como dietas sem embasamento ou uso de medicações sem orientação adequada. O suporte profissional permite ajustar a alimentação, monitorar a composição corporal e adaptar a estratégia conforme o organismo responde. Isso reduz erros comuns e torna o caminho mais sustentável", conclui.