14 de fevereiro de 2026
PETS

Depressão, estresse e agressividade: como identificar e tratar

da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Cuidados com a mente e as emoções dos animais refletem diretamente na saúde física e na harmonia com os responsáveis

Problemas emocionais como ansiedade, medo, estados depressivos, agressividade e compulsões não são exclusivos dos humanos e fazem parte da rotina clínica dos animais de estimação.

Cães e gatos também sofrem com esses distúrbios, muitas vezes de forma silenciosa e geralmente são confundidos com desobediência ou "manias". Ignorar esses sinais compromete não só o comportamento, mas também a saúde física dos pets e o convívio com os responsáveis.

Para a médica-veterinária Farah de Andrade, consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, entender o comportamento como forma de comunicação é o primeiro passo para cuidar da saúde mental dos animais.

"Eles sentem, sofrem, se frustram e demonstram isso com atitudes. Quando o pet passa a destruir objetos, vocalizar em excesso, se isolar ou apresentar agressividade, ele está sinalizando que algo não vai bem", explica.

Sinais de alerta

Comportamentos como apatia, automutilação, alterações de apetite, mudanças no sono, urinar ou defecar fora do lugar habitual, medo exagerado e agitação constante podem indicar quadros de estresse crônico, ansiedade e depressão. As causas variam de mudanças na rotina, ausência prolongada dos responsáveis e solidão até traumas e o processo de envelhecimento.

Animais idosos podem apresentar sinais semelhantes aos da demência nos humanos, como desorientação, irritabilidade, apego excessivo. "É comum que os responsáveis não saibam interpretar esses sinais. Por isso, a avaliação veterinária especializada é fundamental para um diagnóstico correto e o início do tratamento mais adequado", alerta Farah.

Uma via de mão dupla Como pets ajudam na saúde mental dos humanos

Se o responsável influencia o equilíbrio emocional do pet, o contrário também é verdadeiro. Quem tem ou já teve um animal de estimação entende como eles colaboram na redução do estresse e da ansiedade, aliviam sintomas de depressão e fortalecem o senso de conexão emocional.

A presença de um pet pode transformar a rotina do responsável, especialmente dos idosos, ajudar no desenvolvimento emocional de crianças e ser uma âncora afetiva para quem enfrenta perdas ou momentos de solidão. Porém, esse animal de estimação também deve ter suas necessidades físicas, emocionais e mentais atendidas.

"Um pet emocionalmente equilibrado é fonte de afeto, acolhimento e estrutura. Ele contribui com o bem-estar de toda a família e, por isso, merece o mesmo cuidado que oferece", ressalta Farah.

A prevenção dos transtornos emocionais deve começar em casa, com o chamado enriquecimento ambiental: adaptações no ambiente para oferecer estímulos físicos, sensoriais e cognitivos ao pet.

"Tédio e falta de estímulo são gatilhos para vários distúrbios. Um cão precisa explorar, correr e cheirar. Um gato precisa de altura, esconderijos e desafios. Sem isso, o pet adoece em silêncio", reforça a veterinária.

Brinquedos interativos, prateleiras, arranhadores, atividades com reforço positivo e passeios regulares ajudam a manter o equilíbrio emocional. Uma rotina previsível, com tempo de qualidade ao lado do responsável, também contribui para o bem-estar dos animais.

Tratamento emocional vai além do carinho

Em muitos casos, reorganizar a rotina do pet, ajustar o ambiente e fortalecer o vínculo com o responsável já pode ajudar a reduzir ou reverter os sinais comportamentais, mas quando o quadro é mais severo ou persistente, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos veterinários manipulados, sempre com orientação médica.

"O tratamento precisa ser seguro, eficaz e adaptado ao paciente. Um comprimido amargo pode causar ainda mais estresse, enquanto um biscoito sabor frango ou um gel transdérmico aplicado com carinho transforma o cuidado em experiência positiva", destaca Farah. A manipulação veterinária permite ajustar a dosagem ao peso do animal, combinar diferentes ativos e escolher formas farmacêuticas flavorizadas que melhor se adaptem ao pet, como biscoitos, molhos, pastas orais e xaropes em sabores como picanha, bacon, queijo, leite condensado e azeitona. Isso aumenta a adesão ao tratamento e reduz o estresse do responsável e do animal.

Entre as opções prescritas por médicos-veterinários, estão fitoterápicos e nutracêuticos como valeriana, kawa-kawa, passiflora, L-triptofano e melatonina, ideais para quadros leves a moderados. Já os medicamentos controlados, como fluoxetina, sertralina e clomipramina são indicados em casos mais complexos e também podem ser manipulados de forma personalizada.

RAIO X


SINAIS E SINTOMAS

Tremores: Leves a severos, em todo o corpo ou em partes, piorando com atividade e melhorando com descanso.

Ataxia: Falta de coordenação.

Incoordenação: Dificuldade para andar.

Outros: Inclinação da cabeça, nistagmo (movimento ocular), e até febre em alguns casos.

CAUSAS E DIAGNÓSTICO

Causa Desconhecida: Acredita-se ser autoimune, com inflamação do cerebelo, parte do cérebro que controla o movimento.

Predisposição: Cães pequenos e brancos (Maltês, West Highland White Terrier), jovens.

Diagnóstico: Clínico, excluindo outras doenças (intoxicações, epilepsia), podendo incluir ressonância magnética ou punção lombar para confirmação.

TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

Corticosteroides: Prednisona para reduzir a inflamação.

Outros: Diazepam (relaxante muscular) pode ser usado.

Prognóstico: Geralmente excelente, com recuperação rápida, embora o tratamento possa ser prolongado ou vitalício.