A Polícia Civil apreendeu 17 telhas que foram retiradas pela Emdurb do Terminal Rodoviário de Bauru após um vendaval ocorrido em setembro de 2025 e trocadas por um servidor por madeiras e pregos que teriam sido utilizados na construção do refeitório da empresa pública. A reportagem apurou que também houve apreensão de cerca de R$ 11 mil em dinheiro do proprietário da Tuim Sucatas, Wagner Cardoso, que adquiriu materiais inservíveis da Emdurb. Além da investigação na esfera criminal, eventuais irregularidades na destinação dos bens da empresa são alvos de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal.
O inquérito policial que apura eventuais crimes cometidos nas negociações tramita em segredo de Justiça. Após receber a informação, a reportagem entrou em contato com o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru responsável pelo caso, Eduardo Herrera, que confirmou as apreensões das telhas e dinheiro e informou que os valores estão depositados em uma conta judicial. Por conta das limitações impostas pelo segredo de Justiça, ele disse que não pode dar detalhes, mas ressaltou que o caso segue sob investigação.
Conforme divulgado pelo JCNET/Sampi, a chamada "CEI da Sucata" foi aprovada pelo Legislativo no dia 15 de dezembro de 2025, após pedido apresentado pela vereadora Estela Almagro (PT), para apurar denúncias de desvio de bens inservíveis e sucatas pertencentes à Emdurb, em especial a suposta destinação irregular de materiais inservíveis resultantes de danos causados por vendaval, em setembro, na cobertura metálica do Terminal Rodoviário, além do uso indevido dos recursos financeiros obtidos na comercialização dos itens.
Durante oitivas da Comissão, no final de janeiro, o proprietário da Tuim Sucatas, Wagner Cardoso, afirmou que caminhões da administração municipal realizaram cinco viagens ao ferro-velho, transportando 2.383,9 kg de materiais. Segundo ele, o ferro foi pago a R$ 0,50 o quilo (luminárias) e o alumínio a R$ 9,00 o quilo (telhas). Cardoso alegou que mantinha R$ 11.402,68 em sua conta, dinheiro que, segundo ele, pertenceria à empresa municipal. Este valor que foi apreendido pela Polícia Civil como parte das investigações.
Também como parte dos trabalhos da CEI, o fiscal de Transporte da Emdurb Luiz Adriano de Souza Carvalho confirmou ter participado de uma permuta envolvendo 17 telhas retiradas do Terminal Rodoviário. Em troca, ele adquiriu madeiras e pregos usados na construção do refeitório da Emdurb. Segundo o relato do servidor, as telhas foram utilizadas em uma propriedade particular de sua posse, e a permuta teria sido autorizada pelo ex-diretor de Limpeza Pública da empresa Levi Momesso. Essas telhas também foram apreendidas.
Recentemente, a Corregedoria da Emdurb concluiu sindicância aberta para apurar as irregularidades e, no relatório final, se manifestou pela demissão da então presidente Gislaine Magrini e dos então diretores Bruno Primo (administrativo-financeiro) e Levi Momesso (de Limpeza Pública). O órgão também recomendou a abertura de processo administrativo em relação aos gerente de Limpeza, Wagner Rodrigues, e ao fiscal de Transporte Luiz Adriano Carvalho, esses funcionários de carreira. Todos os pedidos foram atendidos pela administração. Donizete do Carmo dos Santos assumiu a presidência da empresa. Já a Diretoria Financeira passou a ser ocupada por Eriton Correa e, a Diretoria de Limpeza Pública, por Valter dos Santos Dias.