02 de fevereiro de 2026
BEM-ESTAR

De bem com o mar

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Exercitar o corpo com o pé na areia, nadar no mar ou caminhar à beira d'água vai além do lazer: faz bem, especialmente para a saúde mental. A ciência chama esse hábito de "exercício azul", conceito que reúne atividades físicas em ambientes aquáticos naturais como praias, rios e lagos e que vem sendo associado à redução do estresse, melhora do humor e aumento da sensação de calma e bem-estar. As informações são do jornal La Nación.

Mesmo sem esforço intenso, o simples contato com o ambiente já produz efeitos positivos. Ver o azul do mar, ouvir o som das ondas ou sentir a areia sob os pés ajuda a aliviar a sobrecarga mental. Esse fenômeno é conhecido como "restauração da atenção", quando o cérebro entra em um estado mais relaxado e exige menos esforço cognitivo.

Estudos liderados pelo psicólogo ambiental Mat White, com 4.255 entrevistados na Inglaterra, mostraram que ambientes com água são percebidos como mais agradáveis e reconfortantes do que outros espaços naturais, como florestas e montanhas, especialmente no que diz respeito ao relaxamento mental.

A cientista Catherine Kelly explica que a escala aberta das praias provoca uma sensação de assombro, emoção ligada à percepção de algo maior do que nós mesmos.

"Há uma sensação de assombro, na qual ganhamos perspectiva sobre nossos problemas e nos sentimos parte de algo maior do que nós mesmos",  afirma.

Esse sentimento está associado à diminuição do estresse e ao aumento do senso de propósito.

Além dos benefícios mentais, o "exercício azul" incentiva a prática física. Pesquisas indicam que as pessoas tendem a se exercitar por mais tempo perto da água. Um estudo publicado em 2020 na revista Environmental Research mostrou que, embora exercícios em áreas verdes possam ser mais intensos, a duração costuma ser maior em ambientes aquáticos.

Esse efeito combinado também impacta o sono. Uma análise divulgada em 2024, com dados de 18.838 adultos de 18 países, apontou que visitas frequentes a espaços azuis e verdes estão associadas a menor risco de insônia e a noites mais longas e reparadoras.

O conjunto desses efeitos é conhecido como "saúde azul", termo que reúne os benefícios físicos e emocionais do contato com ambientes aquáticos. A ciência confirma que passar um tempo perto do mar, de rios ou lagos pode funcionar como um remédio natural para o corpo e a mente.

Principais efeitos do contato com a água

Calma imediata: Contato com o mar e outros ambientes aquáticos reduz o estresse e a ansiedade quase instantaneamente.

Mais disposição para se mexer: Paisagens costeiras estimulam a prática de exercícios e aumentam o tempo de atividade física.

Mente mais leve: Ambientes azuis favorecem a restauração da atenção da pessoa e ajudam a aliviar o cansaço mental.

Sono melhor: Visitas frequentes à praia e a outros espaços naturais estão associadas a menos insônia e noites mais longas.

Bem-estar emocional: A sensação de amplitude e horizonte aberto ajuda a pessoa a colocar problemas em perspectiva e é capaz de melhorar o humor.

Anti-inflamatório: Além da saúde mental, o contato com o mar é considerado um poderoso "anti-inflamatório natural" e melhora o sistema respiratório.

Conexão com a natureza

 

Redução do estresse e cortisol: A proximidade com o oceano diminui os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e ajuda a acalmar o sistema nervoso, tirando-o do modo de alerta constante.

"Mente Azul" (Blue Mind): Pesquisas indicam que o ambiente marinho induz um estado de relaxamento, clareza mental e meditação, fenômeno chamado de "mente azul".

Conexão com a natureza e "Grounding": Caminhar descalço na areia (aterramento) favorece a condução elétrica natural do corpo, o que ajuda a desinflamar o corpo e reduzir a ansiedade.

Estimulação química do bem-estar: O ar salgado e a paisagem estimulam a liberação de serotonina e dopamina, neurotransmissores associados ao prazer e à felicidade.

Atenção restaurada: O som constante das ondas e a paisagem sem barreiras visuais permitem que o cérebro descanse da "fadiga cognitiva" dos centros urbanos.