Equilíbrio é ingrediente indispensável para qualquer debate político. O que hoje presenciamos, não tem absolutamente nada a ver com isso. De algum modo, o bom senso abandonou as conversas construtivas sobre o tema.
Contaminaram-se os valores e princípios éticos e jurídicos. O que sustenta uma nação soberana, é justamente a sua capacidade de dialogar com os demais países, e extrair deste encontro o melhor de cada parte no sentido de cooperação, crescimento e reconhecimento de sua identidade cultural, não para comparar-se, mas para agregar valor, afinar acordos nos quais exista o objetivo amplo, expansivo e justo, não corrosivo, impositivo e abusivo.
O início desta deterioração do entendimento e da compreensão multilateral, gera insegurança, medo e postura defensiva. Onde não existe confiança, não há possibilidade de diálogos inclusivos e participativos, mas apenas estratégia com finalidade financeira e política de dominação.
O poder da palavra não representa mais algum eco de verdade, transparência e honra. Apenas manipulações numéricas, métricas interesseiras e servilismo constrangedor de quem detém a capacidade de engajar, de perpetuar um discurso no qual a narrativa se adapta aos próprios interesses pessoais mesquinhos.
Acreditar é o perigo mais eminente. As vozes incautas e os ouvidos tapados por pregações falaciosas, com propostas divinas de redenção, só expõem ainda mais as feridas abertas de um povo alienado, destituído de pensamento crítico, alvo certeiro para aqueles que pretendem usurpar o poder e controlar a narrativa que convence sem necessidade de analisar.
Seja aqui, ou em qualquer rede social, vemos uma quase metade da população disposta a manter a posição confortável de donos da verdade.
O Ensaio sobre a Cegueira de Saramago retrata este viés em que enxergar é uma questão de querer, de estar disposto e ver o que precisa ser visto para nos tornarmos pessoas independentes, livres, definidores do próprio destino.
Despertar o olhar para os que são excluídos de tudo, mas sobretudo da "verdade" por de trás das palavras "bem ditas", exige um desconstrução radical de crenças limitantes, de auto conhecimento e de reconhecimento do sagrado direito de sermos cidadãos ativos e não mais manipulados por tanta desinteligência humana.
Assistir a tantos jovens proferindo barbaridades sobre a nossa história política e jurídica, faz a gente querer desistir. Presenciar adultos maduros, frutos de uma geração que foi esmagada sobre o peso da ditadura militar, levantar bandeira pra quem não tem caráter...
Ouvir pessoas idosas que não acompanharam a evolução dos tempos, não conseguiram se informar de forma adequada e aplaudem pessoas inescrupulosas, nos dá a entender que a humanidade não evoluiu moral e espiritualmente.
Falta tudo, falha tudo. Porque não há como conviver com aqueles que desprezam quem pensa diferente.
Porque pensar para estas pessoas, é apenas um ato que deve ser combatido com ignorância e falsa religiosidade. Amém.