27 de março de 2026
CONTINUIDADE EM JOGO

Conflito na direção e dívidas ameaçam o Fórum Pró-Batalha

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Klaudio Coffani e Gabriel Mota

Um conflito que se arrasta há mais de cinco anos entre ex-dirigente e a atual presidência do Fórum Pró-Batalha, e que chegou à esfera judicial, tem deixado a entidade em situação de vulnerabilidade institucional, com reflexos diretos na conservação da bacia do Rio Batalha, em Bauru.

Enquanto versões opostas são apresentadas à Justiça por meio de processos judiciais, o principal impacto recai sobre a própria organização, que corre o risco de perder parcerias, financiamentos e a capacidade de executar projetos ambientais estratégicos.

De um lado está o atual presidente do Fórum Pró-Batalha, o engenheiro florestal Gabriel Guimarães Mota, que integra a entidade desde 2014. Segundo ele, os problemas tiveram início após a reeleição do então presidente Klaudio Coffani, em 2018. Mota afirma que, a partir desse período, houve atraso na prestação de contas de projetos financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), retenção de documentos e falta de transparência administrativa.

De acordo com os documentos do processo judicial apresentados por Mota, a situação levou à paralisação de repasses, ao atraso no pagamento de prestadores de serviço e, posteriormente, à acefalia da entidade, já que o prazo estatutário para convocação de nova assembleia teria sido ultrapassado. Ele relata que foi realizada uma assembleia em novembro de 2020, mas não pode assumir por conta de recursos judiciais de Coffani, o que ocorreu somente em 2023.

A não entrega dos arquivos da entidade e dos contratos a diretoria eleita em 2020 está impedindo, a regularização plena da entidade junto aos órgãos públicos.

Atualmente, segundo o presidente, o Fórum acumula cerca de R$ 15 mil em débitos, incluindo valores cobrados pelo Fehidro por recursos não aplicados no prazo e taxas municipais relacionadas à sede da entidade, que na ocasião era o escritório particular de Cóffani. Com isso, a ONG corre o risco de ser negativada no Cadin, o que inviabilizaria novos convênios, especialmente para projetos de reflorestamento. "Sem regularidade fiscal e jurídica, ficamos impedidos de buscar novos recursos e até de manter parcerias com a prefeitura", afirma Mota.

Do outro lado, o ex-presidente Klaudio Coffani rejeita as acusações e sustenta que elas têm origem em conflitos internos e pessoais. Em documentos apresentados, ele afirma que Gabriel Mota rompeu com a diretoria após discordâncias sobre a forma de gestão dos projetos do Fehidro, classificando a conduta do atual presidente como difamatória. Coffani também argumenta que a pandemia de Covid-19 impactou diretamente os prazos e procedimentos de prestação de contas.

O ex-dirigente apresentou documentos onde uma decisão judicial de outubro de 2020 teria nomeado Gabriel Mota como administrador provisório com efeitos imediatos, transferindo a ele toda a responsabilidade administrativa e financeira da entidade desde então. Para Coffani, desde novembro de 2020 cabe exclusivamente à atual gestão responder por prestações de contas, contratos e débitos, negando qualquer retenção irregular de documentos ou responsabilidades posteriores ao fim de seu mandato.

Enquanto as versões seguem sendo debatidas em instâncias administrativas e judiciais, o Fórum Pró-Batalha permanece fragilizado. Criada para atuar e auxiliar na proteção do principal manancial que abastece cerca de 37% da população de Bauru, a entidade vê seus projetos ameaçados pela insegurança institucional.

Sem solução definitiva para o impasse, o risco é que o Fórum perca financiadores, parceiros públicos e privados e fique impossibilitado de cumprir sua função ambiental, deixando a bacia do Rio Batalha sem um apoio técnico e financeiro que foi construído ao longo de décadas.