11 de fevereiro de 2026
OPINIÃO

A manutenção dos juros e os sinais para a economia brasileira

Por Reinaldo Cafeo | O autor é diretor Regional da Ordem dos Economistas do Brasil
| Tempo de leitura: 2 min

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, mais uma vez, manter a taxa Selic em 15% ao ano, nível mais alto desde 2006, reafirmando a estratégia de levar a inflação de volta ao centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional.

A decisão, anunciada na chamada superquarta, já era amplamente esperada pelo mercado, que segue vendo um ambiente doméstico de incerteza e a necessidade de cautela na condução da política monetária.

A manutenção dos juros altos cumpre um duplo papel: reforça o compromisso com o controle inflacionário e, ao mesmo tempo, ajuda a preservar condições de financiamento do setor público, que depende de um diferencial de juros capaz de manter a atratividade dos títulos brasileiros. Esse ponto, aliás, não é desprezível num cenário de fragilidade fiscal e expectativas de inflação ainda sensíveis a riscos internos e externos.

No cenário internacional, os Estados Unidos também optaram por manter sua taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, interrompendo um ciclo recente de cortes. O mercado precificou com alta probabilidade a manutenção da taxa, amparado por sinais de estabilização do mercado de trabalho e inflação ainda acima da meta norte-americana de 2%.

A convergência das decisões reforça o diferencial de juros favorável ao Brasil, o que tende a atrair capital estrangeiro em busca de retornos mais elevados.

Esse movimento, somado ao período recente de enfraquecimento do dólar no mercado internacional e à valorização do real contribui para a entrada líquida de recursos no país e pode aliviar a pressão sobre o câmbio — um fator relevante para o controle inflacionário.

Apesar da decisão de manter os juros no patamar atual, há uma expectativa crescente de que o ciclo de cortes possa começar em breve. O próprio mercado projeta que, na próxima reunião, cerca de 45 dias após a atual, o Copom finalmente promova o primeiro corte — movimento sustentado pelo cenário desinflacionário global, pela desaceleração da economia doméstica e pelo avanço da inflação rumo ao centro da meta.

Se confirmada, a redução dos juros representará um alívio bem-vindo para a atividade econômica, ainda pressionada pelo custo elevado do crédito e pela perda de dinamismo em setores sensíveis à taxa básica. Uma Selic mais baixa tende a estimular investimentos, melhorar as condições financeiras de empresas e famílias e, gradualmente, sustentar uma recuperação do crescimento.

Até lá, porém, o Banco Central seguirá vigilante. A autoridade monetária deixou claro que qualquer movimento depende da evolução consistente da inflação e das expectativas, ainda sujeitas a choques geopolíticos e incertezas sobre a política econômica global.

Por ora, o Brasil mantém uma posição relativamente vantajosa no cenário internacional, com juros altos que atraem capital e um câmbio mais favorável — mas essa vantagem só se converte em crescimento sustentável quando acompanhada de estabilidade fiscal e reformas que fortaleçam a capacidade produtiva do país.

Os próximos meses dirão se, de fato, estamos prestes a inaugurar um novo ciclo econômico, mais favorável ao investimento e ao desenvolvimento. Mas, por enquanto, prevalece a prudência — e a espera.