O ator Wagner Moura afirmou em entrevista que é difícil discutir a Lei Rouanet com quem não compreendeu a Lei Áurea, numa crítica direta à ignorância histórica e ao sectarismo que dominam parte do debate público no Brasil. A fala resume um problema maior: quanto mais se estuda, se lê e se observa, mais evidente fica como o país se tornou refém de posições cegas, onde vale comemorar até “gol roubado”, desde que seja a favor do próprio lado.
O Brasil vive um grau de polarização que flerta com o delírio. No último 7 de Setembro, manifestações exibiram bandeiras dos Estados Unidos do dia da independência do Brasil. Houve brasileiros que chegaram a defender que o país fosse o “próximo” a sofrer intervenção estrangeira, numa completa inversão do sentido de soberania nacional.
Nesse ambiente, o Supremo Tribunal Federal passou a ser tratado como inimigo político justamente por exercer seu papel constitucional de defesa da democracia. Ao mesmo tempo, surgem denúncias e investigações que exigem apuração rigorosa, como o escândalo envolvendo o Banco Master, investigado pela Polícia Federal. O caso levantou questionamentos sobre relações institucionais e conflitos de interesse, ainda sob apuração.
O ministro Dias Toffoli, relator de temas ligados ao caso no STF, foi indicado ao Supremo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2009. As investigações da Polícia Federal indicam um cenário preocupante, com suspeitas que podem alcançar deputados, empresários e líderes religiosos, embora muitas apurações ainda estejam sob sigilo.
O país precisa, com urgência, ser passado a limpo. Mas isso só será possível quando o povo abandonar o sectarismo, parar de tratar política como Fla-Flu e voltar a respeitar fatos, instituições e a própria democracia.