Durante a manhã desta terça-feira (27), a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga a venda irregular de bens inservíveis e sucatas da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ouviu cinco servidores da autarquia. A quinta reunião da comissão foi realizada no Plenário da Câmara Municipal. Servidores da empresa deram detalhes de como ocorreu a venda dos materiais, telhas sobretudo.
Participaram da oitiva o presidente da CEI, vereador Marcelo Afonso (PSD), além dos vereadores Edson Miguel (Republicanos), Arnaldinho Ribeiro (Avante), Estela Almagro (PT), Júlio César (PP) e Márcio Teixeira (PL). A comissão também conta com a participação do advogado José Clemente Rezende, indicado pela OAB-Bauru. Sandro Bussola,o relator, viajou à Palestina em missão humanitária.
Os depoimentos trouxeram novos detalhes sobre procedimentos adotados para o descarte, comercialização e permuta de materiais considerados inservíveis, especialmente telhas retiradas do Terminal Rodoviário após um vendaval ocorrido em setembro de 2025.
Um dos ouvidos foi o fiscal de Transporte da Emdurb Luiz Adriano de Souza Carvalho, que confirmou ter participado de uma permuta envolvendo 17 telhas retiradas do Terminal Rodoviário. Em troca, ele adquiriu madeiras e pregos utilizados na construção do refeitório da Emdurb. Segundo o servidor, as telhas foram utilizadas em uma propriedade particular de sua posse, e a permuta teria sido autorizada pelo diretor de Limpeza Pública da empresa, Levi Momesso. Luiz Adriano afirmou não saber como foi calculado o valor das telhas e relatou que arcou com transporte particular para levá-las até sua propriedade.
Já o encarregado do Terminal Rodoviário Ari Reginaldo Lopes de Souza afirmou que realizou cotações de preços para a venda de bens inservíveis em ferros-velhos da cidade a pedido verbal de Levi Momesso. Ele disse não ter experiência prévia com esse tipo de procedimento e que apenas coletou os orçamentos e os repassou à diretoria. Ari destacou ainda que não participou da pesagem das telhas nem da cotação do piso laminado instalado na sala da presidência da Emdurb, embora tenha acompanhado a execução do serviço.
O assessor administrativo João Elder Feres Ruiz, responsável pela patrimonialização dos bens da Emdurb, afirmou que não foi informado previamente sobre a chegada de novos móveis para a sala da presidência. Segundo ele, a conferência ocorreu apenas após solicitação da Diretoria Financeira e Administrativa. João Elder também relatou que realizou uma “cotação rápida” de telhas em ferros-velhos da cidade, levando um pedaço do material para avaliação, mas não soube explicar por que o procedimento não foi formalizado em um processo interno.
Durante a oitiva, o gerente financeiro da Emdurb, Sidnei Aparecido de Souza, declarou que só tomou conhecimento das supostas irregularidades após a denúncia chegar à Câmara Municipal. Ele ressaltou que a Gerência Financeira não atua na parte operacional e que cabe ao setor gerador do resíduo iniciar o processo administrativo de venda. Sidnei afirmou ainda que não há, até o momento, procedimento aberto para assegurar que valores referentes à venda de sucatas, ainda sob posse do ferro-velho Tuim Sucatas, sejam incorporados ao caixa da Emdurb.
Também foi ouvido o pedreiro da Emdurb Wilson Miranda, que confirmou ter elaborado a lista de materiais utilizados na permuta com Luiz Adriano, bem como realizado cotações de preços em lojas de materiais de construção, seguindo ordens do diretor Levi Momesso. O depoente causou surpresa ao afirmar que é ele quem costuma fazer as cotações quando a Emdurb necessita adquirir materiais de construção.
A CEI da Sucata da Emdurb dará continuidade aos trabalhos nesta quarta-feira (28), às 9h. Estão previstas as oitivas do proprietário da Tuim Sucatas, Wagner Cardoso; da motorista da Emdurb, Melania Aparecida Manso Collis; do supervisor de Remoção de Resíduos e Mutirões da Prefeitura, Carlos Bevilacqua; e do motorista da Prefeitura, Pedro Alves Ribeiro Neto.