25 de janeiro de 2026
COLUNISTA

O custo da impaciência


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A impaciência não é apenas um traço de temperamento; no fundo é um erro de cálculo espiritual e emocional. Vivemos numa cultura de gratificação instantânea, em que esperar parece perda de tempo. Mas a impaciência cobra um preço alto: ela nos empurra a aceitar "o pouco" exatamente quando Deus está preparando "o muito".

O apologista C. S. Lewis descreve essa tendência com uma frase cortante: "Somos criaturas de coração dividido; Contentamo-nos com muito pouco". A impaciência é isso: trocar o que tem valor duradouro por um alívio imediato. A Escritura ilustra esse perigo na vida de Esaú. Faminto e impaciente, ele vendeu sua primogenitura por um prato de lentilhas (Gn 25.29-34). O alívio veio na hora; o prejuízo, para sempre. Hebreus lembra que ele depois chorou, mas já era tarde (Hb 12.16,17). A impaciênci a nos deixa míopes: ela amplifica a urgência do agora e apaga a visão do que Deus está construindo adiante. Quando damos ouvidos a essa pressa, passamos a trocar o propósito por um alívio momentâneo — conforto que dura pouco e custa caro.

Muitas vezes confundimos movimento com progresso. No trabalho, na carreira e até nas finanças, a ansiedade produz decisões por impulso — aquela necessidade de "fazer alguma coisa" só para calar a inquietação. No mercado, isso aparece como overtrading: operar em excesso, sem critério. Na vida, é o mesmo padrão: agarrar qualquer oportunidade, aceitar qualquer retorno, entrar em qualquer relação, só para preencher o vazio da espera. Por isso Provérbios ensina: "Os planos do diligente tendem à abundância, mas a pressa excessiva, à pobreza" (Pv 21.5).

A pressa empobrece porque nos rouba o discernimento. E aqui entra uma palavra-chave: clareza. Clareza é enxergar quem você é diante de Deus, qual é sua missão e quais limites você não negocia. Sem clareza, qualquer alçapão parece salvação; mas com clareza, você percebe que algumas "portas abertas" são armadilhas. Ter clareza é ter coragem de dizer "não" ao bom para poder dizer "sim" ao excelente. Esperar, portanto, não é passividade. Esperar é uma atividade espiritual intensa: permanecer fiel enquanto o tempo faz seu trabalho. É sustentar a obediência no intervalo entre a promessa e o cumprimento. Nesse "vão" Deus forma caráter, aprofunda fé e purifica motivações. O silêncio revela intenções; o deserto revela dependência. Spurgeon, teólogo inglês, dizia que paciência é descansar na certeza de que Deus sabe o que está fazendo.

Muitas decisões que chamamos de "estratégicas" são, na verdade, desistências disfarçadas. É como voltar ao Egito porque a caminhada até a Terra Prometida parece longa e difícil demais. Mas a Palavra nos adverte: "Não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos" (Gl 6.9). A colheita tem tempo próprio. Quando a impaciência assume o controle, a régua baixa: baixamos padrões morais, profissionais e relacionais para aliviar desconfortos imediatos. Se você aceita qualquer retorno, perde a liberdade de escolher com sabedoria e passa a viver do que dá "resultado agora". Se aceita qualquer relação, dilui sua identidade e se afasta do que Deus chamou você para ser. Se aceita qualquer atalho, talvez ganhe velocidade por um momento — mas paga com os perigos ocultos.

É aqui que a clareza protege o coração. Ela permite suportar o desconforto temporário da solidão, da escassez ou do "ainda não", em nome de uma construção sólida e eterna. Clareza sustenta o tempo: dá suporte emocional para atravessar o deserto sem vender a promessa. Clareza também filtra vozes: nem todo convite é chamado; nem toda urgência é direção; nem toda "oferta imperdível" é vontade de Deus.

Jamais negocie sua clareza. A vida e as opiniões ao redor tentarão convencê-lo de que "melhor um pássaro na mão do que dois voando". Mas, no Reino de Deus, às vezes o "pássaro na mão" é só distração para que você não perceba a águia que está prestes a pousar. Isaías promete: "Os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão" (Is 40.31). A espera no Senhor não enfraquece; ela renova. A impaciência é um imposto que o ansioso paga; mas o sábio se recusa a entregar. Mantenha sua régua alta. Guarde seu coração. Suporte o processo. A Bíblia garante que o impaciente peca (cf. Provérbios 19.2). O futuro que Deus desenha para você exige que você sobreviva ao desconforto de "não ter agora" para receber "no tempo certo". Pense nisso. Bom dia.