25 de janeiro de 2026
COLUNISTA

O início da pregação de jesus

da Redação
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Entrando plenamente em 2026, no calendário da Igreja estamos no chamado Tempo Comum. O calendário litúrgico também se estende por doze meses, mas não está organizado em meses, e sim em cinco tempos litúrgicos, de duração desigual: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Tempo Comum. Ao longo desse ano litúrgico, a Igreja celebra na Liturgia e traz para o cotidiano dos cristãos a memória da vida de Jesus Cristo, desde a sua encarnação no seio da Virgem Maria até a sua ascensão ao céu. Cada um desses tempos destaca um aspecto essencial da vida do Senhor. O Tempo Comum é o período em que se celebra o mistério pascal de Cristo no dia a dia, sobretudo nos domingos, quando a Liturgia privilegia, em geral, os sermões de Jesus, seus milagres, suas orações, suas preocupações, suas relações com as pessoas, suas andanças missionárias e suas ações de misericórdia para com os pobres, os pecadores e os sofredores. Tudo isso nos ajuda a seguir Jesus em seu cotidiano.

No trecho evangélico da Santa Missa deste domingo (cf. Mt. 4,12-23), São Mateus relata aspectos importantes do início da missão de Jesus. Ele afirma que, ao saber que João Batista tinha sido preso, Jesus foi morar em Cafarnaum e começou a pregar ao povo da região da Galileia, chamada "Galileia dos pagãos", proclamando: "Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo". (cf. Mt. 4,17). Na primeira leitura (cf. Is. 9,1-4), o profeta Isaías anuncia: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz", expressão da esperança que animava o povo da Galileia diante da libertação da opressão assíria e da instauração de um reino de justiça, liberdade e paz.

Na segunda leitura, São Paulo exorta os cristãos de Corinto: "Sede todos concordes uns com os outros e não haja divisões entre vós". (cf. 1Cor. 1,10), convite que permanece atual para nós, cristãos de hoje, em nossas comunidades. As virtudes máximas do cristão são, antes de tudo, as virtudes teologais: fé, esperança e caridade (cf. 1Cor. 13,13). Entre as demais virtudes, merecem destaque a humildade e a coragem, tão necessárias em nosso tempo, marcado por uma realidade frequentemente arrogante e covarde. Essas virtudes são indispensáveis para enfrentar os tormentos e angústias que atingem multidões, muitas vezes enganadas por falsas promessas de sucesso fácil ou por ideologias secularistas que prometem um paraíso terrestre baseado apenas na autossuficiência humana — promessas que não se realizam. Os mistérios da fé e da esperança não podem ser plenamente compreendidos apenas pela inteligência humana, pois não são verdades científicas. Eles são acolhidos pela alma que se aproxima de Deus por amor sobrenatural. É nesse amor que se fundamentam a fé e a esperança. Por isso, a Sagrada Escritura afirma: "Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade". (cf. 1Cor. 13,13), pois "Deus é amor" (cf. 1Jo. 4,8), amor pleno e eterno. Sem o amor a Deus e ao próximo, nada de sólido sustenta o ser humano diante dos desafios da vida. A humildade é uma virtude antiga: o reconhecimento de que somos criaturas e pecadores. Mesmo considerando o estilo da linguagem mística medieval, São Francisco de Assis rezava: "Quem sois Vós, Senhor, e quem sou eu? Vós, o Criador do céu e da terra; eu, ínfima criatura vossa, pobre e pecador. A Vós, o sumo bem, o louvor e a glória". A coragem que o mundo oferece não é suficiente para sustentar aqueles que se deixam afundar nas tempestades da vida, pois confiam apenas em si mesmos e soltam a mão estendida do Senhor, como aconteceu com Pedro ao caminhar sobre as águas (cf. Mt. 14,28-31). Assim, perdendo a verdadeira coragem, sucumbem ao desespero. Somente quem fundamenta sua coragem na rocha da fé em Deus, e não nas areias da autoconfiança (cf. Mt. 7,24-27), não desanima nem esmorece. Realidades humanas como ansiedade, medo, velhice, doença e morte lançam a sociedade moderna, laica e racionalista, em profundo desespero. Diante dessas questões tão antigas quanto a própria humanidade, a reapresentação de virtudes igualmente antigas - como as aqui mencionadas - mostra-se oportuna, sobretudo no início de um novo ano.