Em aulas, uso o questionamento para inquietar a mente em busca do novo e diferente, para que se amplie o aprendizado além dos limites que as pessoas pensam que têm, mas não temos estes limites.
No final das aulas nunca perguntei se entenderam o assunto, se gostaram de saber o que expliquei ou se acharam difícil. Antes de encerrar, pergunto a três pessoas quais as suas considerações finais sobre o assunto, permeadas com críticas, o que lhe foi impactante e o que induziu a novos pensamentos.
E encerro dizendo que se não entenderam, foi porque eu não expliquei direito. Fui eu que não usei a linguagem, os exemplos e as analogias para fazer compreender os raciocínios. E se for o caso, eu repito a aula, eu explico tudo de novo.
Ser professor significa induzir o outro a aprender. Ninguém ensina nada, são as pessoas que aprendem! Educar é ensinar a pensar sozinho, como na história do filme Sociedade dos Poetas Mortos. Vale a pena assistir.
NÃO SABE?
Temos que buscar o porquê das coisas, a razão do existir, a essência do que sabemos. Eu repito isto há 50 anos em aulas. Quando percebo que preciso deixar algo impactante no ar, pertinente ao assunto ou correlato, deixo um questionamento no ar para o intervalo. Muito perguntam a resposta e falo que explicarei no final da atividade.
Eu digo: se vocês são cirurgiões-dentistas, deverão saber o significado da palavra “bluetooth”. Já pensou se algum paciente perguntar e você não souber por que “dente azul”. Imaginou tocar o celular no domingo e for o Luciano Huck perguntando a você qual o significado desta palavra, valendo 1 milhão.
Primeiro vai ser um vexame para sua imagem e, segundo, vai perder uma grana fenomenal. Todos riam de minha imaginação, mas não é que isto aconteceu um domingo destes e o candidato perdeu uma boa grana, pois não sabia!
PERGUNTA
A pergunta de hoje é “quem deu o nome aos dentes humanos?” Se um cirurgião-dentista não souber isto, corresponde a um cardiologia não saber qual o peso médio do coração ou ainda um ator não conhecer Shakespeare.
Em 1637, a ciência se libertou da politica e religião, quando o genial francês René Descartes editou o livro “Discurso do Método”, no qual ensina passo a passo como ser rigoroso e cético ao se fazer uma pesquisa. Daí o termo “cartesiano” significar metódico e criterioso. Este livro é editado até hoje.
Em 1771, o inglês John Hunter (1728 – 1793), um cirurgião que adorava estudar a cabeça e pescoço e fazia muitas pesquisas em várias áreas, editou o livro: “The natural history of the human teeth: explaining their structure, use, formation, growth, and diseases. A practical treatise on the diseases of the teeth”. Ele é o pai da Cirurgia Científica e Experimental.
No livro, padronizou e estabeleceu o nome de cada um dos dentes humanos, para que pudéssemos a partir deste fato, uniformizarmos os termos, os métodos e os critérios para se estudar e pesquisar tudo que se referia aos dentes humanos. Objetos pessoais, animais e cadáveres de suas realizações cientificas ficam expostos no Museu Hunteriano em Londres.
REFLEXÕES FINAIS
Hunter disse que todos estavam errados até sua época, que inflamação era mecanismo de defesa e não uma doença como se acreditava até então. Hoje, incrível, segue-se seus conceitos.
Ele queria transplantar dentes humanos e experimentou em cristas de galo. Deu certo e um dos animais assim está, até hoje, no museu. Em uma frase ele disse: “para isto dar certo, devemos transplantar junto com o dente, os tecidos periodontais”. Os escandinavos aprenderam e realizam os melhores transplantes autógenos no mundo.
Viva Hunter, um ser humano exemplar!