O papa Leão XIV manifestou-se neste domingo (4) sobre a crise política e militar na Venezuela e defendeu que a prioridade absoluta seja a proteção da população. Ao comentar a prisão do presidente Nicolás Maduro, o pontífice pediu respeito à soberania do país e a busca por soluções que levem ao fim da violência.
Durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o papa ressaltou que “o bem-estar do querido povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração”, acrescentando que o momento exige compromisso com a Justiça, a paz e a preservação da soberania nacional.
"Acompanho com profunda preocupação os desdobramentos da situação na Venezuela. O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e inspirar a superar a violência e trilhar caminhos de justiça e de paz, garantindo a soberania do país, assegurando o estado de direito consagrado na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de cada um e de todos e trabalhando para construir juntos um futuro sereno de colaboração, de estabilidade e de concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem por causa da difícil situação econômica. Por isso, rezo e vos convido a rezar também, confiando a nossa oração à intercessão de Nossa Senhora de Coromoto e dos Santos José Gregório Hernández e Irmã Carmen Rendiles."
Leão XIV é o primeiro papa norte-americano.
A declaração ocorreu um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que forças militares norte-americanas realizaram uma operação em território venezuelano, resultando na detenção de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, na residência oficial em Caracas. Segundo Trump, a ação foi “bem-sucedida” e teria como objetivo iniciar uma transição de poder no país.
O governo venezuelano reagiu classificando a operação como uma “gravíssima agressão militar” e decretou estado de exceção. Já o presidente norte-americano afirmou que pretende conduzir o país provisoriamente até a conclusão do processo de transição, admitindo inclusive a possibilidade de uma nova ofensiva, caso considere necessário.
De acordo com agências internacionais, Maduro foi transferido para Nova York, onde deverá comparecer nos próximos dias a um tribunal federal para responder a acusações de narcoterrorismo. Ele passou a primeira noite detido no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, enfrentando também investigações relacionadas a tráfico de drogas e corrupção.
A crise provocou reações divergentes no cenário internacional. Enquanto alguns países condenaram a atuação dos Estados Unidos, outros saudaram a queda de Maduro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “profundamente preocupado” com a escalada de tensão e alertou que a ação militar pode trazer “implicações preocupantes” para toda a região.
No plano interno, o Supremo Tribunal da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência, enquanto o país enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente.