07 de janeiro de 2026
ÁGUA

Sensor da Unesp Bauru promete caçar vazamentos com precisão

Por Nélson Itaberá | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Engenheiro mecânico Fabrício César Lobato, professor da Unesp Bauru, e o detector de vazamentos de água

Mais desafiador do que garantir o acesso à água potável é reduzir as perdas ao longo dos milhares de quilômetros de tubulações que levam o líquido até as residências. Em Bauru, um projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Sabesp, avançou nessa frente ao desenvolver um equipamento capaz de identificar vazamentos à distância, com precisão superior à dos métodos atualmente utilizados, como os geofones, informam os idealizadores.

O projeto desenvolvido junto à Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru, será apresentado na Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (Fenasan), a maior do setor da América Latina, no segundo semestre de 2026.

A informação é do engenheiro mecânico Fabrício César Lobato, professor da faculdade no câmpus local e um dos principais especialistas no País na detecção de problemas em redes de água e esgoto. "O correlacionador é um equipamento nacional muito mais acessível que os instrumentos já desenvolvidos. Saímos de um custo de até R$ 250 mil, com itens importados, para algo abaixo de R$ 70 mil e capaz de calibrar e avaliar onde está o vazamento", explica.

Hoje, os chamados geofones utilizados pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) são de sensores simples, com dificuldades na detecção, dependendo do tipo de solo e tubulação.

"O correlacionador foi testado com eficácia no mês passado e para identificação do local do vazamento a partir da base do solo (asfalto) mesmo para tubos de PVC em 1 metro de profundidade", conta.

Até então, um dos desafios era a precisão diante de obstáculos como o solo e o tipo de material. Os sensores mais simples atuam melhor para tubos em metal ou fibrocimento, mas não para compostos de plásticos. Ainda assim, a localização do vazamento é imprecisa.

O Departamento de Combate às Perdas da Companhia de Saneamento do Estado (Sabesp), parceira na experiência, aponta que a extensão de rede de abastecimento é tão grande no Estado (120 mil km de canos subterrâneos), que o caminho indicado nas pesquisas é o de tapar os buracos com rapidez e eficiência, ao invés de substituir.

A Sabesp participa do programa com o professor há mais de 10 anos.

Fabrício Lobato se aprofunda no assunto desde 2009, quando de seu doutorado em Southampton, na Inglaterra, orientado na ocasião por Michael Brennan, um dos maiores especialistas do mundo na área, atualmente professor na Unesp em Ilha Solteira.

O inédito detector de superfície localiza vazamentos a distância, sem a necessidade do equipamento em contato físico direto com o cano. Até então, hastes e geofones se limitam a tornar o sinal emitido perceptível ao ouvido. Mas o técnico tem de distinguir o som. Mesmo por vibração, as ferramentas atuais estão longe da precisão do sensor desenvolvido pelos correlacionadores, explica o pesquisador.

"O equipamento testado aponta que o uso de sensores relaciona e 'calcula' medições de propagação de ondas, inclusive em tempo e velocidade das vibrações, trazendo resultado eficaz da posição do vazamento", finaliza o professor.