A nova diretoria colegiada do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru e Região (Sinserm), eleita para o mandato de 2026 a 2029, tomou posse na tarde desta sexta-feira (2) em solenidade ocorrida na sede do sindicato, já conta com um desafio central: resgatar a confiança dos servidores e reconstruir a base sindical, hoje considerada fragilizada após quase duas décadas sob a mesma gestão.
O diretor-executivo, Gabriel Costa Place, destacou que a renovação era necessária e que o foco da nova gestão será a aproximação direta com os trabalhadores nos locais de atuação e resgatar a confiança dos servidores. “Gostaria de começar parabenizando os diretores eleitos, enaltecendo a importância da diretoria colegiada para a consolidação da luta dos servidores municipais e dos trabalhadores em geral. Os diretores exercem papel fundamental de organização e politização nos locais de trabalho”, afirmou.
Segundo Gabriel, apesar de o município contar com cerca de 12 mil servidores entre ativos e aposentados, apenas aproximadamente 10% participam efetivamente da entidade. Para ele, esse cenário é reflexo da falta de trabalho de base ao longo dos anos. “O sindicato entende que a força do sindicato é uma base organizada, consciente e mobilizada. Hoje, muitos servidores estão desacreditados, e nosso principal desafio é trazer esse servidor de volta”, ressaltou.
O diretor-executivo também criticou a condução das últimas greves, que, segundo ele, não contaram com uma mobilização real da categoria. “Nas últimas duas greves, quem colocou o pessoal na rua foram servidores que não eram da diretoria. A greve era deliberada em assembleia com poucas pessoas, sem saber quantos, de fato, iriam aderir. Isso mostra que não havia controle, nem trabalho de base”, avaliou.
A nova diretoria aposta na conscientização como estratégia para fortalecer o sindicato frente às negociações com o Executivo. “É muito diferente sentar para conversar com a prefeita com três ou quatro mil servidores mobilizados do que ser um sindicato sem força. A luta é permanente, e teremos embates pontuais, mas tudo o que temos hoje foi conquistado com muita luta”, afirmou Gabriel.
Entre os principais temas que devem marcar o início da gestão estão as discussões sobre a reforma da previdência municipal, a reestruturação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e o enfrentamento ao que a diretoria classifica como política de privatizações e concessões. Gabriel alertou para projetos que envolvem o Departamento de Água e Esgoto (DAE), a Emdurb e o manejo de resíduos sólidos.
Fazem parte da nova diretoria os servidores: Melissa Lamonica, Raquel Cuesta, Alex Fardin, Gabriel Placce, Rafael Paes, Iara da Costa, Fátima Nunes, Luiz Hassanal, Isabel Melo, Kátia Silveira, Elen Fardin, Thiago Thame, Simone Salvador, Rosilene da Silva, Taira Palharim, Luiz Carneiro, Jean Morales, Renata Redicopa, Chrystian Said, Nathália Ferreira, Renata Landi, Natasha Lamonica, Daniela Certo, Carmem Mastrelli, Sérgio Ibelli, Caroline Martins, Sônia Medeiros e Fabiano Menezes
Sobre a coleta de lixo, o diretor destacou a possibilidade de um referendo popular como alternativa para barrar a concessão. “Se conseguirmos as 12 mil assinaturas, podemos afastar essa decisão e permitir que a população decida se o manejo de resíduos sólidos deve continuar sendo um bem público administrado pelo município”, explicou.
Outro ponto sensível é a reforma da previdência. Gabriel informou que o sindicato já deve iniciar reuniões com a Funprev nos próximos dias. “A prefeita pediu à Funprev que elabore um projeto alinhado à Emenda Constitucional 103. Estaremos presentes para acompanhar e discutir, porque entendemos que esse pacote pode representar uma grande maldade com os servidores”, alertou.
A diretoria também pretende cobrar do Executivo a recomposição de direitos congelados durante a pandemia, como biênios e sexta-parte. “Com o descongelamento aprovado no Senado, vamos exigir o recálculo desse período e discutir o pagamento retroativo. O Executivo precisa apresentar um plano claro de como vai ressarcir os servidores”, afirmou.
Para Gabriel Place, o sucesso da nova gestão depende diretamente da participação da categoria. “O sindicato não faz nada sozinho. Nosso papel é resgatar o servidor, reconstruir a mobilização e fazer o sindicato voltar a ser aguerrido, com capacidade de juntar, conscientizar e lutar pelos direitos dos trabalhadores”, concluiu.