02 de janeiro de 2026
DESCOBERTA

Professor de Jaú lidera descoberta inédita com nióbio na USP

da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação: Universidade de São Paulo
Professor Frank Nelson Crespilho, natural de Jaú

O professor Frank Nelson Crespilho, natural de Jaú (47 quilometros de Bauru) e docente do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC/USP), está à frente de uma descoberta científica inédita que pode transformar o futuro das baterias. Ele liderou a equipe responsável por desenvolver uma tecnologia capaz de tornar o nióbio funcional, estável e recarregável para armazenamento de energia: um desafio que a ciência tentava superar há década.

A inovação, protegida por patente junto à USP, resolve um dos principais entraves do uso do nióbio em baterias: a rápida degradação do metal quando exposto à água e ao oxigênio. Até então, esse comportamento químico impedia sua aplicação prática, apesar do enorme potencial energético do elemento.

A solução encontrada pelo grupo coordenado por Crespilho é inspirada na própria natureza. A tecnologia, denominada NB-RAM, funciona como um sistema de proteção inteligente que controla as reações químicas do nióbio durante os ciclos de carga e descarga, evitando sua deterioração. “Criamos uma espécie de cápsula que permite ao nióbio operar em diferentes níveis de energia de forma controlada, sem se degradar, assim como ocorre em sistemas biológicos”, explica o professor.

A trajetória que levou à descoberta começou há cerca de dez anos, quando Frank Crespilho atuou como professor visitante na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde aprofundou estudos em sistemas biomiméticos. De volta ao Brasil, aplicou esse conhecimento ao desafio do nióbio, à frente do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces da USP e como integrante do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT).

Parte fundamental do avanço veio do trabalho de refinamento conduzido pela doutoranda Luana Italiano, que dedicou dois anos à otimização do sistema até alcançar estabilidade e reprodutibilidade, requisitos essenciais para a futura produção comercial da bateria.

O Brasil detém cerca de 90% das reservas mundiais de nióbio, mas ainda exporta majoritariamente o mineral em estado bruto ou com baixo valor agregado. A nova tecnologia pode mudar esse cenário, colocando o país na vanguarda do armazenamento de energia e criando uma nova cadeia de valor para um recurso estratégico.

A descoberta liderada pelo professor de Jaú abre caminho para uma nova geração de baterias, com aplicações potenciais em eletrônicos portáteis, veículos elétricos e sistemas de energia renovável. A equipe da USP segue trabalhando no aprimoramento da tecnologia e na busca por parcerias para viabilizar a produção em escala industrial, consolidando uma conquista científica de impacto global que tem origem no interior paulista.