10 de julho de 2026
BEM-ESTAR

Quando o sono falha, o cérebro paga a conta

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
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Envelhecimento mental é acelerado com noites mal dormidas, diz estudo

Um novo estudo realizado pelo Instituto Karolinska, na Suécia, mostra que dormir mal com frequência acelera o envelhecimento cerebral. Segundo a equipe, a inflamação poderia explicar pouco mais de 10% da ligação entre a falta de sono e a idade avançada do cérebro.

Outros fatores associados foram os efeitos negativos do sono ruim no sistema de eliminação de resíduos cerebrais e o impacto na saúde cardiovascular, que também pode afetar o funcionamento do cérebro.

Os pesquisadores analisaram os resultados de exames de ressonância magnética de 27.500 pessoas de meia-idade e mais velhas do UK Biobank. A partir daí, eles conseguiram estimar a idade biológica dos participantes com base em mais de mil características.

Eles também avaliaram a qualidade do sono com base em cinco fatores autorrelatados: cronótipo (matutino ou noturno), duração do sono, insônia, ronco e sonolência diurna.

Com isso, os participantes foram divididos em três grupos: sono saudável, para quem apresentava quatro ou mais pontos; sono intermediário, para quem marcava entre dois e três pontos; e sono ruim, para quem tinha um ponto ou menos.

"A diferença entre a idade cerebral e a idade cronológica aumentou em cerca de seis meses para cada ponto perdido na pontuação de sono saudável. Pessoas com sono ruim tinham cérebros que correspondiam, em média, a um ano a mais do que sua idade real", explica Abigail Dove, pesquisadora do Departamento de Neurobiologia, Ciências do Cuidado e Sociedade do Instituto Karolinska, que liderou o estudo.

O trabalho, publicado na revista científica eBioMedicine, fornece evidências de que a falta de sono pode contribuir para o envelhecimento acelerado do cérebro.

"Como o sono é modificável, pode ser possível prevenir esse processo e até mesmo o declínio cognitivo por meio de noites mais saudáveis de descanso", conclui a pesquisadora.

O que dormir faz...

O sono é um processo ativo e dinâmico, essencial para o bom funcionamento do cérebro.

Consolidação da memória: durante o sono, o cérebro organiza e armazena as informações aprendidas durante o dia.

Reparo e restauração: o cérebro se repara e remove toxinas acumuladas, um processo vital para manter a saúde neurológica.

Equilíbrio emocional: o sono ajuda a regular o humor e as emoções, melhorando a capacidade de lidar com o estresse e a mudança. 

A longo prazo

Risco de doenças neurodegenerativas: estudos indicam que dormir menos de 5 horas por noite pode aumentar o risco de demência, como o Alzheimer. Impede o sistema glinfático de fazer "faxina" cerebral e toxinas se acumulam.

Envelhecimento cerebral: Pode envelhecer o cérebro, com pesquisas indicando uma diferença de até dois anos de envelhecimento.

Problemas de saúde mental: a insônia crônica pode agravar ou levar ao desenvolvimento de transtornos como depressão e ansiedade.

Deterioração das conexões neurais: em casos severos, a falta de sono pode fazer com que o cérebro consuma suas próprias conexões neurais como uma "autofagia

A curto prazo

Dificuldade de concentração e atenção: falta de sono prejudica a capacidade de manter o foco, o que pode afetar o desempenho em tarefas diárias, no trabalho e estudos.

Irritabilidade e alterações de humor: Pode tornar o indivíduo mais propenso à ansiedade, raiva, agressividade, impulsividade e depressão.

Comprometimento da memória: a consolidação de novas informações em memórias de longo prazo ocorre durante o sono. A falta de descanso leva a lapsos de memória.

Risco de acidentes: com o raciocínio mais lento e atenção prejudicada, os riscos de acidentes de trânsito e trabalho aumentam, assemelhando-se aos efeitos do consumo de álcool.