No segundo dia do Júri Popular dos acusados pela morte da ex-secretária da Apae Bauru Claudia Lobo, a advogada Heloísa Leutwiler, que representa Dilomar Batista, afirmou aos jurados que seu cliente foi vítima de manipulação e coação psicológica por parte do também réu Roberto Franceschetti, ex-presidente da entidade.
A defensora descreveu Franceschetti como alguém com “indícios claros de psicopatia”, classificando-o como “ardiloso, manipulador, arrogante e prepotente”. Heloísa chegou a chamá-lo de “condutopata”, termo utilizado para designar indivíduos com desequilíbrio patológico no controle das emoções e impulsos, marcados pela ausência de sentimentos superiores como piedade, compaixão e altruísmo.
Segundo a advogada, Franceschetti teria criado uma rede de influência e controle para envolver outras pessoas em um esquema de desvios, não tolerando que ninguém frustrasse seus planos ou ameaçasse seu status de poder. Nesse contexto, afirmou, Dilomar teria sido “manipulado, usado e traído por um amigo”.
A defesa pediu aos jurados a absolvição de Dilomar, sustentando a tese de coação irresistível — quando o indivíduo age sob forte pressão psicológica que elimina sua capacidade de escolha.
Heloísa ressaltou que, apesar de o comportamento de Dilomar ser reprovável, ele reconheceu seus erros, demonstrou arrependimento e colaborou com as investigações. “Se não fosse a contribuição dele, talvez nem os ossos seriam encontrados, nem os óculos”, afirmou, referindo-se às provas que ajudaram a esclarecer o destino do corpo de Cláudia.
O julgamento segue no Fórum de Bauru, com a continuidade das sustentações das demais defesas e a expectativa de veredito até o fim desta secta-feira (10).