O promotor Alex Ravanini comparou o assassinato da ex-secretária-executiva da Apae, Claudia Regina da Rocha Lobo, ao caso de Elisa Samudio, desaparecida em 2010 e cujo corpo também nunca foi encontrado. A declaração foi feita durante a apresentação da acusação ao júri popular na manhã desta sexta-feira (10), no Fórum de Bauru, no segundo dia de julgamento de Roberto Franceschetti Filho e Dilomar Batista.
Ravanini reforçou aos jurados que a ausência do corpo não impede a responsabilização criminal. "Este é o quinto caso em que atuo sem a presença do corpo da vítima. Isso não significa que não houve homicídio — o corpo foi destruído para tentar encobrir o crime", afirmou. Ele destacou que, assim como no caso do goleiro Bruno, a destruição dos restos mortais seria uma tentativa de impedir o esclarecimento dos fatos.
Segundo o Ministério Público, Roberto e Dilomar "montaram uma cena digna de Hollywood", tentando eliminar rastros e confundir a investigação. Durante sua fala, o promotor apresentou aos jurados o mapa do trajeto feito por Roberto com Cláudia no dia do desaparecimento, além de fotos da perícia. Ele observou, no entanto, que a complexidade do percurso dificulta uma geolocalização exata. O promotor mostrou imagens inéditas, até agora não divulgadas para a imprensa, dos fragmentos de ossos. Ele frisou que não foi possível extrair DNA deles e que, por isso, o laudo foi inconclusivo.
Letícia Lobo, filha de Claudia, acompanhou a sessão da primeira fileira da plateia, visivelmente abalada.
Diferente do primeiro dia, Roberto Franceschetti chegou ao Fórum nesta sexta-feira de forma mais tranquila e sem esconder o rosto, como havia feito na véspera.