08 de julho de 2026
CASA & CONSTRUÇÃO

As moradias do amanhã


| Tempo de leitura: 6 min
Divulgação
Projeto virtual do escritório FGMF - Mint Studios 2 - prédio de apartamentos integrado à natureza

Ao olhar para as tendências das casas do futuro, projetadas nos filmes, seriados e desenhos animados dos anos 60, pode-se ver que algumas delas se concretizaram e fazem parte da rotina das famílias há tempos. Já se conversa com as pessoas por meio de imagens ao vivo, os telefones podem ser conectados aos painéis dos carros — de forma ainda mais moderna do que nos sonhos futuristas daquela década. Mas esqueça, a curto e médio prazo, aquela casa dos Jetsons, que mais parecia uma nave espacial. A casa do amanhã terá é muita natureza e conexão com o meio ambiente.

No que diz respeito à conectividade no lar, já se vive a realidade das casas conectadas, com a chegada da internet das coisas, que facilita a rotina de um jeito que não se esperava até pouco tempo atrás. Mas quais são as tendências da tecnologia residencial para os próximos anos? Especialistas separaram seis itens que serão criados ou passarão a ser mais populares do que se vê hoje (veja abaixo).

Itens que ficam

Enquanto se prevê o que haverá na casa do futuro, imagina-se que algumas coisas não mudarão. Ainda estamos longe do dia em que trocaremos o calor de uma comida feita na panela por pílulas de proteínas e carboidratos.

Também é improvável que alguém se sinta em casa (e escolha viver dessa maneira) em ambientes com pisos iluminados, minimalistas ao extremo, sem tapetes ou almofadas.

Se isso acontecer, certamente algum movimento retrô, atiçado pelas tendências da moda, fará a pessoa olhar para trás e recuperar ao menos um pouco do aconchego perdido. Uma coisa é fato: a casa do futuro será cada vez mais aconchegante e contará com facilidades para que se possa extrair a máxima qualidade de vida que um lar deve proporcionar.

O que mudará na hora da construção?

O que hoje é uma opção, as casas do futuro usarão “obrigatoriamente”: materiais ecológicos, painéis solares e sistemas de coleta de água para reduzir o impacto ambiental. A automação residencial, que hoje permite controlar a casa por voz ou smartphone — com iluminação e outros aparelhos inteligentes — só tende a se expandir. Embora essa tecnologia já exista, ela ainda está restrita às pessoas com renda mais alta ou com curiosidade nata e dons inventivos, que fazem elas mesmas essas instalações.

A flexibilidade de espaços, com paredes móveis e móveis multifuncionais, permitirá a adaptação às necessidades dos moradores, enquanto tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e sensores otimizarão o conforto, a segurança e a eficiência da habitação.

Sustentabilidade e eficiência energética

Materiais ecológicos: uso de biomateriais e fibras naturais, como madeira certificada e cerâmicas.

Energias renováveis: integração de painéis solares para gerar energia limpa e sistemas de coleta de água da chuva.

Eficiência térmica: melhor isolamento e materiais que mantêm o conforto térmico, reduzindo o gasto energético.

Tecnologia e conectividade de automação residencial: controle de luzes, temperatura e outros dispositivos por meio de voz ou aplicativos, com assistentes virtuais como a Alexa.

Internet das Coisas (IoT): eletrodomésticos e eletrônicos interconectados, com sensores que otimizam o uso de recursos.

Iluminação inteligente: sistemas que se ajustam à necessidade e otimizam o uso de energia, como janelas com opacidade ajustável.

IA e reconhecimento de padrões: a inteligência artificial aprenderá com o comportamento dos moradores para personalizar o ambiente e sugerir melhorias.

Flexibilidade e adaptabilidade de espaços reconfiguráveis: ambientes flexíveis e multifuncionais, com paredes móveis, que se transformam para trabalho, lazer ou descanso.

Mobiliário modular: móveis feitos por fabricação digital (como impressão 3D) e design paramétrico, para criar espaços fluidos e adaptáveis.

Conforto e bem-estar com sensores biométricos: a casa torna-se um espaço de promoção da saúde individual e foco de prevenção de doenças. Para isso, serão instalados dispositivos e sensores para monitorar a saúde, permitindo análises futuras por parte dos profissionais da área.

Conexões emocionais: criação de ambientes com afeto e memória, valorizando a conexão com a natureza (biofilia) e com objetos de valor.

Assistência robótica: robôs multifuncionais que auxiliam nas tarefas domésticas e no cuidado com as pessoas.

6 tendências da construção

1. Natureza integrada aos edifícios

Se, por um lado, a poluição e o trânsito das grandes cidades são pontos negativos de viver em capitais, a praticidade de morar nesses centros urbanos acaba compensando esses fatos. O lado positivo que as casas do futuro têm a oferecer é a junção da vida urbana sem abrir mão do contato com a natureza. Cada vez mais, os projetos imobiliários de cidades como São Paulo priorizam experiências que instigam a conexão com a natureza, integrando espaços verdes em condomínios fechados e respirando o ar puro que, até então, só se encontrava no interior.

2. Supermercado no condomínio

Ainda citando as áreas comuns de edifícios residenciais, os supermercados e conveniências dentro de condomínios são outra tendência que já existe, mas cuja expectativa é de expansão e popularização. E isso só é possível graças à tecnologia, já que a maioria desses estabelecimentos contará com sistemas automatizados para encomenda, retirada e pagamento das compras — algo muito comum em outros países, como a China, por exemplo.

3. Ambientes bem delimitados

Passando da experiência comum para os espaços dentro dos apartamentos, a tendência é que as casas do futuro voltem a ter ambientes bem delimitados, com quartos mais espaçosos e escritórios dentro de casa, por exemplo. Isso significa que estúdios ou apartamentos sem divisórias entre os cômodos terão cada vez menos adeptos, já que a ascensão do home office trouxe de volta a necessidade de privacidade para que cada integrante da família consiga realizar suas atividades em um ambiente individual.

4. Espelho inteligente

É um tipo de tendência que, embora pareça muito distante da realidade, é uma aplicação clara da internet das coisas — que vai além dos tradicionais gadgets de automação residencial já utilizados atualmente. Em breve, a casa do futuro poderá contar com um espelho inteligente, que faz um check-up no corpo em menos de 30 segundos, mostrando os principais índices de saúde como massa muscular, peso, aspectos relacionados à pele e muito mais. Criado no Vale do Silício, esse superespelho conta com tecnologia de raio-X 3D e se conecta a um aplicativo móvel que armazena as informações e gera relatórios comparativos sobre a evolução da saúde de um indivíduo ao longo do tempo, levando a categoria dos *wearables* para outro patamar e integrando-a à casa inteligente.

5. Energia renovável

Assuntos voltados à sustentabilidade não podem ficar de fora das tendências das casas do futuro. Itens relacionados à energia renovável não param de evoluir, indicando que, em um futuro breve, existirão equipamentos para reciclar o lixo e transformar os resíduos em energia para alimentar pequenos eletrodomésticos.

6. Holografia

Há exatos 10 anos, os estudantes da Domus Academy, em Milão, desafiados pelo *Design Lab*, promovido anualmente pela Electrolux, projetaram como seria a casa do futuro. Segundo eles, ela colocaria a residência dos Jetsons no chinelo, prevendo tendências inusitadas. Dentre elas, estava a previsão de que o ato de vasculhar as páginas de um livro de receitas ficaria para trás, já que uma holografia ditaria o passo a passo do prato a ser feito. Como isso ainda não aconteceu, estima-se que essa seja uma das próximas inovações — e que as casas do futuro contenham uma versão próxima dessa tendência.