A placa que identificava o busto de Joaquim Machado de Mello, na praça que leva seu nome — entre a antiga Estação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e a quadra 1 do Calçadão da Batista de Carvalho, no Centro de Bauru — foi furtada. O sumiço foi constatado pela reportagem do programa Cidade 360º, parceria entre JC/JCNET e a rádio 96 FM, na manhã desta segunda-feira (29).
O busto, feito de bronze fundido, foi inaugurado em 13 de maio de 1910 e é considerado o monumento mais antigo de Bauru.
A redação do JCNET comunicou o furto à Prefeitura de Bauru, por meio da assessoria de imprensa. Por meio nota, o município lamentou o ocorrido e informou que irá repor o bem público.
A praça onde o monumento está localizado abrigou, até 2022, a 1.ª Companhia do Pelotão de Trânsito e a Base Comunitária de Segurança Centro da Polícia Militar. Ambas foram transferidas para o antigo quartel do Corpo de Bombeiros, na quadra 2 da Rua Marcondes Salgado, também na região central.
Segundo reportagem do JCNET à época da mudança, o 4.º Batalhão de Caçadores informou que a transferência foi necessária devido a avarias provocadas por infiltrações e alagamentos. A água da chuva chegou a invadir o prédio, quase arrastando viaturas e motocicletas da PM, além de deixar os agentes ilhados.
De acordo com registros do Jornal da Cidade, o busto foi instalado na praça em homenagem ao empreiteiro responsável pela construção inicial da Noroeste do Brasil. Joaquim Machado de Mello nasceu em 3 de maio de 1856. Aos 15 anos, foi estudar na Bélgica, no Colégio Deperich, formando-se engenheiro em 1874, pela Escola de Gand, em Bruxelas.
De volta ao Brasil em 1880, trabalhou na construção do primeiro engenho central em Angra dos Reis. Casou-se em 1882 e passou a atuar na construção da Estrada de Ferro Leopoldina, onde permaneceu por dois anos. No governo do Conselheiro Rodrigues Alves (1902–1906), foi convidado a construir o Cais da Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, como empreiteiro-geral das obras da Noroeste, então em andamento.
Mais tarde, durante a administração de Pereira Passos, participou da remodelação urbana do Rio de Janeiro, além de atuar em diversas outras obras ferroviárias.
A atual estação da NOB, inaugurada em 1939, passou a centralizar embarques e desembarques das três ferrovias que atendiam Bauru à época: a Estrada de Ferro Sorocabana (fundada em 1905), a primeira estação da Noroeste (de 1906), e a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que chegou à cidade em 1910. Em 1957, a NOB foi incorporada à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).
Os trens de passageiros da Noroeste foram extintos no final de 1995. A ferrovia foi concedida à iniciativa privada em 1996. A última composição da antiga Companhia Paulista chegou à estação de Bauru em 15 de março de 2001.
Em 2010, o prédio da estação foi adquirido pelo município de Bauru. Enquanto operou com trens de passageiros, a Estação da Noroeste foi considerada o maior entroncamento ferroviário do Brasil.