Ele cresceu jogando bola no Altos da Cidade, região em que o Rei Pelé despontou. E a vida até tentou levá-lo para o futebol profissional, mas o destino quis diferente e a paixão pelo esporte serviu como catapulta para o empreendedor de sucesso.
Apaixonado por futevôlei e futebol, Leandro Augusto Oliveira Palma, 48 anos, o Lelê, possui passagem pela base do E.C. Noroeste e vida ativa na comunidade bauruense, chegando até a presidir o Alvirrubro entre 2021 e 2023, época da pandemia. A desistência da vida profissional no futebol aconteceu ainda na juventude, após teste que ele fez para um time na Suíça não vingar.
Frustração que o trouxe de volta para Bauru e concedeu novas perspectivas. Lelê casou-se, teve uma filha e, há aproximadamente 1 ano e meio, resolveu unir o útil ao talento para empreender. Enxergou um filão nos esportes que praticava e mergulhou no mundo dos negócios com o cunhado e um amigo de quadra. Juntos, eles fundaram uma marca de roupas esportivas que já veste atletas no Brasil e até nos Estados Unidos.
JC - Conte sobre sua infância e como o esporte entrou na sua vida?
Lelê - Sempre morei no Altos da Cidade, rua Padre João. Meu pai, Sidnei Palma, era representante comercial e minha mãe, Maria Aparecida de Oliveira Palma, a dona Cidinha, teve uma padaria por anos na rua Joaquim da Silva Martha. Então, eu e minhas irmãs, Liene e Lilian, nos revezávamos entre estudar e ajudá-la na padoca. Mas eu sempre encontrava tempo para fazer o que mais amava: jogar bola na rua com amigos. Acredito que inspirado pelo meu pai, que jogava no Futebol Amador de Bauru. Então, desde pequeno eu acompanhei e admirava esportes, cresci competindo torneios de futsal no Sesi, no antigo BAC e conhecia vários grupos que jogavam futebol ali na região central da cidade.
JC - Você teve passagem pelo time de base do Noroeste e chegou até a ser chamado para um teste na Suíça?
Lelê - Em 1993 eu entrei para o time de base do Noroeste e permaneci lá até 1997, mesmo ano em que fui chamado para um teste profissional na Suíça para ingresso no time austríaco FC Lustenau. Mas, infelizmente, não passei. Acabei voltando para Bauru e dei um tempo do futebol, passei a jogar apenas por lazer. Logo depois, conheci a minha esposa, a dentista Karina Higino. Dessa união, nasceu a Ana Clara, hoje com 16 anos. Nesta mesma época, também iniciei minha trajetória profissional como representante comercial e, depois, como administrador de uma empresa hospitalar.
JC - E o futevôlei, quando entrou para sua vida?
Lelê - Iniciei no futevôlei por volta dos meus 30 anos, jogando em uma equipe do BTC (Bauru Tênis Clube) junto com meu cunhado, o Bruno Amaral, hoje meu sócio. Me apaixonei muito pelo esporte, passei a jogar diariamente. Rodamos várias cidades e estados disputando campeonatos e vencemos vários. Foi nessa jornada esportiva que conhecemos também nosso segundo sócio, o Fernando Santarelli, que é de Ribeirão Preto. Penso que o futevôlei é como a vida, demanda muito domínio de bola em terrenos não favoráveis. É inspirador!
JC - Mas você manteve o futebol na sua vida e chegou até a presidir o E.C. Noroeste?
Lelê - Sim, eu fiz parte do projeto de empresários para salvar o Noroeste em 2018. Fui tesoureiro na gestão do Estevan Pegoraro e, depois vice-presidente e, então, presidi o time de 2021 a 2023, em uma das fases mais difíceis para o clube, que foi durante a pandemia. Mas também tivemos a comemorar nessa época, conquistamos o acesso da Série A3 para a A2.
JC - Quando empreender virou uma opção na sua vida de atleta?
Lelê - Sempre tive um sonho de empreender, acredito que inspirado por minha mãe e a padaria. Meu lado empresário começou pela necessidade de conseguir bons uniformes para o nosso time futevôlei em 2024. Havia uma carência de materiais de primeira no mercado a um custo mais baixo. Foi aí que descobri o tecido dry fit microperfurado com elastano, que é leve e bactericida. Falei com o Bruno e investimos em parcerias e em nossa própria marca, que com a chegada do Fernando tornou-se a Five Athletic. Vendemos 250 uniformes no primeiro mês e fechamos 2024 com mais de 23 mil peças confeccionadas. Hoje, temos uma fábrica parceira na Vila Engler e mais de 15 funcionários diretos.
JC - Em menos de 2 anos, vocês já vestiram o futevôlei do Grêmio e até atletas nos EUA?
Lelê - Sim, caímos no gosto da Liga Nacional de Futevôlei e passamos a vender para vários torneios. Entre eles, os da Liga Americana de Futevôlei, realizados em Miami, Orlando, Sidney e Houston. Também atendemos outros esportes e áreas com nosso e-commerce e abriremos nossa primeira loja conceito em Ribeirão, em novembro. A previsão é de fecharmos esse ano com mais de 50 mil peças vendidas para atletas Brasil afora.
JC - Você acredita no esporte como um meio de transformar vidas?
Lelê - Com certeza. O esporte abriu minha mente e me deu oportunidades na vida, inclusive a de empreender. Acredito que ele possa ser a luz na vida muita gente, por isso é importante ajudarmos projetos sociais. Temos trabalhado nesse sentido, realizamos uma ação bacana há alguns meses com o Gol Solidário, um projeto do o ex-jogador da Seleção Brasileira, o Elano. E, neste fim de semana, iniciaremos parceria com o Empatia em Quadra, um projeto social no Rio de Janeiro que ensina beach tennis a crianças da Rocinha e do Vidigal. São as peças que confeccionamos aqui em Bauru e que têm vestido quem mais precisa também.
O QUE DIZ O EMPREENDEDOR
"O futevôlei é como a vida, demanda muito domínio de bola em terrenos não favoráveis"
"O esporte abriu minha mente e me deu oportunidades na vida, inclusive a de empreender"
"Acredito que ele [esporte] possa ser a luz na vida de muita gente, por isso é importante ajudarmos projetos sociais"