13 de março de 2026
OPINIÃO

'Guincheiro Celestial...'

Por Agostinho Rodrigues Júnior | O autor é bauruense Nato! Um Peregrino. Colaborador de Opinião
| Tempo de leitura: 2 min

Veja só. Em meados dos anos 80 na cidade Sem Limites - Bauru, não havia acontecido a multiplicação da Rodovia Marechal Rondon. Ela se inicia na cidade de Itu e se estendo até a divisa do estado de Mato Grosso do Sul, ou então até a cidade de Castilho.

Em uma quarta feira, de um dia despretensioso da semana na casa do querido "Paulão do Guincho", encontrávamos ali entre amigos e parentes, quando o telefone do Paulão passa a tocar. Era uma chamada da base do policiamento da Policia Rodoviária.

O chamando para que ele realizasse um atendimento, isto é, atender à ocorrência de um acidente, a colisão entre um veículo com um animal, cavalo.

O Paulão nem muito abalado ficou, pois isso era uma prática rotineira. A maioria dos acidentes na rodovia Marechal Rondon, o chamavam para resolver o "BO", isto é, fazer a remoção dos veículos.

Naquele dia, me ofereci em ir com ele. Ele me perguntou. - Você tem medo de ver gente morta e deformada em acidente? - Não, eu acho. Nunca vi! E assim foi a nossa ida até o local da colisão.

O cavalo havia sido atropelado e teve morte instantânea, assim como também o condutor do veículo. Foi um trabalho com certas dificuldades que o Paulão teve que realizar. No final viemos embora após umas três horas entre viagem e remoções.

Essa narrativa é somente uma dentre as centenas realizadas pelo "Paulão do Guincho", um descendente do povo Russo ou Polonês, de um coração sem igual. Suas mãos eram como uma peça rustica de trabalho, grossa e forte. O seu cunhado "Manoel" essa semana disse que quando se programava algum churrasco na casa dele, isto é, do Paulão, ele sempre ficava feliz e dizia que se alguém levasse algum produto, carne ou bebida, pra ele seria uma ofensa. Sempre disposto e desejoso em oferecer momentos de descontração e harmonia entre os familiares e amigos.

No dia 08/09/2025 em Bauru, estava ele no hospital se recuperando de algum mal-estar, com a idade de 90 anos, foi quando a esposa juntamente com a filha, ao visitá-lo, ele as recebe sorrindo.

Logo em seguida fechou os olhos e se foi para o mundo dos guincheiros celestiais. Muitos de nós, tivemos e temos pessoas que são especiais em nossas vidas, por causa de suas particularidades, o "Paulão do Guincho" foi um desses personagens que entrou nas vidas das pessoas e lá fez morada.

"A saudade dos maravilhosos momentos de descontrações e extrapolais, são na verdade segredos que cada um tem como marca do privilégio de ter convivido com ele!"