19 de março de 2026
OPINIÃO

25 anos que você, minha mãe Celina, partiu

Por Prof. Carlos A. Alves Neves |
| Tempo de leitura: 2 min

Há 25 anos, em 11 de agosto de 2000, minha mãe Celina partiu deste plano terrestre para um outro plano espiritual. Mãe e pai, exerceu as duas funções até o final de sua vida. Meu pai faleceu aos 33 anos, e deixou um legado de 3 filhos - Paulo, Carlos e Celina Elizabeth, respectivamente 4 anos, 3 anos e 1 ano. Alfaiate que era meu pai, deixou uma aposentadoria irrisória para o sustento dos 3 rebentos.

Minha mãe não teve outra alternativa senão mudar-se para a casa dos pais, Antonio Alves Filho e Carminda Ribeiro Alves, pois filha única, viu-se na contingência de pedir ajuda aos pais. Só que, empreendedora que era, arregaçou as mangas e bora trabalhar.

Com a formação técnica de Datilografia e Estenografia que havia conseguido em São Paul,o no Departamento Técnico de Especialização em matérias técnicas, solicitou ao pai Antonio Alves Filho que lhe emprestasse uma máquina de escrever para ela iniciar o seu trabalho. Pois, na época, a Datilografia era exigida em todos os concursos: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Cartórios, Escritórios de Contabilidade, e era eliminatória: ou se datilografava 40 palavras perfeitamente por minuto ou estava eliminado.

A fama cresceu e ela, como uma pessoa de visão, abriu uma escola, onde ministrava Datilografia, Estenografia, Caligrafia e, sempre com o pensamento à frente de seu tempo, achava que só datilografia era pouco, pois abriu o curso de Madureza, hoje Supletivo, e por último o Curso de Secretariado Comercial Bilingue, com inglês e alemão... com uma qualidade de ensino que formava profissionais para a grandes empresas. A denominada "Escola Progresso" tornou-se uma referência em toda a região...

Sempre à frente do seu tempo, abriu filiais da escola em Avaí, Presidente Alves, Agudos e em Bauru teve filiais na Vila Bela Vista, Falcão, Cruzeiro do Sul, e na Rua Gerson França, na quadra 10, que era a Matriz, mais a Rua Gerson França, quadra 6.

Mulher à frente do seu tempo, não via obstáculos, derrubava todas as barreiras e ia em frente, fez teatro amador, representando Bauru em todos os Festivais de Teatro Amador que o Governo Estadual promovia.

Fundou o Grupo Folclórico Luso Brasileiro com a ajuda do sr. João de Abreu e logo depois o grupo teatral "Gil Vicente".

Fundou também a Academia Bauruense de Letras (ABLetras), e, sempre à frente dos eventos públicos ela se candidatou a vereadora, não sendo eleita, mas nem por isso parou.

Rendo aqui minhas homenagens a essa mulher batalhadora, vencedora e que nunca desistiu de lutar pela vida. Parabéns, Mãe, pela sua trajetória de vida, que hoje é reconhecida por seus filhos, familiares, amigos e por Bauru.