19 de março de 2026
OPINIÃO

Quantos 'Laudemir' ainda precisarão morrer?

Por Gregório José - Jornalista |
| Tempo de leitura: 2 min

Quantos mais? Essa é a pergunta que insiste em ecoar toda vez que um crime bárbaro no trânsito ocupa as manchetes. Quantos "Laudemir" terão que perder a vida para que os assassinos frios e calculistas sintam o peso real do que fizeram?

Não falamos apenas das mortes brutais, como a do gari que tombou por causa do ego inflamado de um motorista. Falamos também dos atropelamentos seguidos de fuga, das perseguições irracionais por conta de uma ultrapassagem, de uma vaga de estacionamento disputada, ou de um ciclista que ousou ocupar o espaço que lhe é de direito. Pequenos atritos que, em segundos, se transformam em sentenças de morte, movidas por impulsos primitivos mascarados de "defesa da própria razão".

O trânsito, esse campo diário de convivência forçada, expõe mais do que o desrespeito às leis: revela o que cada um carrega por trás do volante. Ali, muitos se sentem blindados pelo metal e pela velocidade, como se fossem senhores da pista e da vida alheia. O problema é que, quando o freio moral falha, o resultado não é um arranhão na lataria, mas um corpo no asfalto.

E o que a sociedade faz? Na maioria das vezes, assiste, comenta, se indigna por alguns dias… e esquece. Até que o próximo "Laudemir" apareça. O ciclo se repete porque a sensação de impunidade é um combustível perigoso. As penas para crimes de trânsito ainda soam brandas demais diante da gravidade dos atos. E enquanto a punição não for proporcional à vida ceifada, continuaremos a ver assassinos de direção e de gatilho circulando livremente, prontos para encontrar seu próximo "alvo".

A pergunta que precisa ser feita é direta e incômoda: quantos mais precisarão morrer para que tenhamos leis e punições realmente capazes de proteger vidas? Porque, do jeito que está, não é o acaso que decide a próxima vítima — é a nossa complacência.