10 de julho de 2026
HOMICÍDIOS

Rixa entre criminosos provoca morte de jovens em Bauru há 3 anos

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
JC Imagens
Delegado Cledson do Nascimento conduz apurações

A cisão de um grupo envolvido com o tráfico de drogas em Bauru, desencadeada há três anos por um motivo aparentemente banal, deixou um rastro de morte com consequências letais na cidade percebidas até os dias atuais. Segundo a Polícia Civil, vítimas e autores de homicídios e tentativas de homicídios são jovens com idades entre 15 e 24 anos com fácil acesso a armas de fogo, que cometem os crimes para vingar familiares ou amigos mortos ou feridos pelos rivais, em sucessivos atos de violência que parecem não ter fim.

As ocorrências têm se concentrado na região Noroeste da cidade, em bairros como Fortunato Rocha Lima, Parque de Jaraguá, Parque Santa Edwirges e Parque Roosevelt, e acontece principalmente aos finais de semana — inclusive em locais com grande aglomeração de pessoas, como adegas ou bailes. Como noticiou o JC, a divisão do grupo ocorreu no primeiro semestre de 2022, quando cinco assassinatos, três tentativas de homicídio e várias prisões relacionados ao caso foram registrados.

O estopim teriam sido publicações nas redes sociais depois de um estranhamento entre os envolvidos, interpretadas como supostas ameaças veladas. Desde então, as retaliações mútuas não cessaram. Em um dos homicídios mais recentes, ocorrido em 4 de junho deste ano, dois jovens foram presos.

Antes de ser capturado, no entanto, um deles, de 21 anos, ainda teria se envolvido na morte de outro rapaz, de 19 anos, em um baile na região do Parque Jaraguá. Esta última vítima teria sido baleada por um adolescente de 15 anos.

Casos recentes

Segundo o delegado Cledson Luiz do Nascimento, titular da 3.ª Delegacia de Homicídios (3.ª DH) da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), unidade responsável pela investigação destes casos, dos 28 registros de homicídio ou tentativa de homicídio em 2025, dez ocorreram em adegas ou em bailes Em 26 de abril, por exemplo, três jovens de 18, 19 e 21 anos foram baleados por integrantes do grupo rival em frente a uma adega na Pousada da Esperança.

Já em 11 de fevereiro, outro, de 23 anos, foi morto em um baile funk na avenida Pinheiro Machado, região do Nova Esperança. De acordo com Nascimento, as investigações demonstram que estas mortes são motivadas por vingança e praticadas por pessoas muito jovens, que parecem não dimensionar as consequências de suas ações na esfera criminal.

"No passado, um criminoso só cometia esse tipo de crime em caso de vida ou morte, porque sabia que seria procurado pela polícia, com prejuízo inclusive para o seu negócio dentro do tráfico. Agora, estes jovens, com fácil acesso a armas de fogo, fazem qualquer tipo de discussão banal, como uma postagem ofensiva ou de ameaça em uma rede social, ser motivo para o cometimento de homicídios", analisa.

Adegas e bailes

Os encontros casuais em ambientes com grande concentração de pessoas e uso de bebidas alcoólicas e outras drogas, como nos chamados fluxos e em adegas, são um ingrediente catalisador destas retaliações. Segundo o delegado, nestes locais, até mesmo pessoas sem relação com estes grupos rivais, mas que estavam próximas aos alvos no momento dos disparos, acabaram sendo alvejadas.

"Nos parece que estes jovens não sabem muito bem diferenciar o que é a realidade da vida e o que é um jogo de videogame. Vários que haviam sido identificados como autores de homicídios ou tentativas acabaram morrendo no decorrer das investigações. Outros foram presos por nossas equipes. De qualquer forma, são famílias destruídas por estas ações", lamenta.

Até o momento, a 3.ª DH esclareceu 21 dos 28 casos de homicídio ou tentativa de homicídio contabilizados neste ano em Bauru, o correspondente a uma taxa de eficiência de 75%, além de ter apreendido sete armas de fogo, número que já supera as seis arrecadadas pela unidade em 2024 inteiro.

Mas, apesar disso, o fato de estes grupos estarem em constante renovação com o ingresso de novos integrantes dificulta o combate aos crimes cometidos por eles. "Um dos presos pelo crime ocorrido no dia 4 de junho, por exemplo, tem 21 anos e já havia sido preso por tentativa de homicídio em 2023. Então, são pessoas bem jovens, mas com alta periculosidade, que estão dando continuidade a esses crimes ao tomarem para si uma suposta 'missão' de vingar familiares e amigos", completa Nascimento.