10 de julho de 2026
SAÚDE

Trabalhadores de USFs de Bauru ameaçam greve contra demissões

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
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USF Nova Bauru

Trabalhadores das Unidades de Saúde da Família de Bauru, administradas pela Sorri, emitiram nesta sexta-feira (28) um alerta de greve em protesto contra demissões em massa anunciadas pela entidade.

O documento partiu do sindicato da categoria, o Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade de Bauru e Região, e diz que a paralisação deve ocorrer caso não haja manifestação formal do município e do secretário de Saúde acerca da pauta que lhes foi encaminhada, incluindo "a prorrogação do convenio e a revisão das condições impostas no novo contrato, no prazo de 48 horas a contar da data deste aviso".

A Sorri, por sua vez, entregou também na sexta aviso prévio de desligamento a 18 profissionais, medida vista pelo sindicato como uma tentativa de esvaziar a possibilidade de greve.

Para a entidade de classe, a formalização das demissões contraria uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo a qual "é necessária a negociação coletiva prévia para a dispensa em massa de trabalhadores"

As demissões anteriormente atingiriam mais de 30 trabalhadores, número que foi reduzido a 18 após, segundo a Sorri, "esforço conjunto com a Prefeitura de Bauru visando minimizar os impactos das especificações e do teto orçamentário estabelecido no novo contrato de operacionalização dos serviços da Estratégia Saúde da Família (ESF)".

Advogada do sindicato, Ana Candido chegou a despachar com o juiz trabalhista Marcelo Siqueira para discutir o pedido liminar que busca suspender as demissões, mas não havia decisão do magistrado até a conclusão desta edição, na noite de sexta.

O "passaralho" - termo informal às demissões em massa - veio em razão dos novos termos do renovado contrato de gestão do programa Estratégia Saúde da Família elaborado pela prefeitura. Segundo a advogada, o impacto da nova negociação é uma redução de 40% nos salários dos funcionários.

"O salário das enfermeiras vai cair de R$ 7 mil para R$ 5 mil. O dos dentistas, hoje fixado em R$ 9 mil, vai para R$ 6 mil. E o dos médicos vai diminuir para R$ 15 mil dos atuais R$ 25 mil", explica.

A Sorri, por sua vez, afirma que vai ampliar o quadro de pessoal. "O novo contrato a ampliação das equipes e a inclusão de novas categorias profissionais, como psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e médicos ginecologistas. Essa medida fortalece o atendimento dentro do conceito de clínica ampliada e integral, beneficiando diretamente 9.000 pessoas a mais, alcançando assim um total superior a 70.000 pessoas nos territórios atendidos", pontua a entidade.