O consumo de água cresceu em 750 milhões de litros por ano nos últimos quatro anos em Bauru, alta que se apresenta como mais um desafio para o DAE na busca por novas fontes de captação. Segundo estatísticas da autarquia, em 2020, a população da cidade utilizou 23,886 bilhões de litros de água, ante a 26,894 bilhões em 2024, uma alta de 12,6%, ou seja, 3 bilhões de litros a mais.
O volume é 48 vezes maior do que a capacidade total dos 54 reservatórios mantidos pelo departamento, de aproximadamente 62 milhões de litros. O aumento, contudo, é linear, visto que acompanhou a elevação da quantidade de unidades consumidoras, como residências e comércios.
O número saltou de 139.728 para 157.522 em quatro anos, variação de exatos 12,7%. Diretor da Divisão de Produção e Reservação do DAE, Heber Soares Vieira cita que os níveis dos reservatórios costumam ficar mais baixos ao fim de dias muito quentes. Porém, pondera que, de forma geral, a população não possui o hábito de economizar água quando as temperaturas estão mais amenas ou mesmo quando ocorrem reajustes na tarifa, como a de 10,5% em janeiro passado.
"Como a água é relativamente barata, os moradores acabam não se preocupando muito com o consumo, diferentemente da energia elétrica, que, possui, inclusive, bandeiras para aumentar o valor da conta quando há dificuldade e consequente encarecimento na produção", compara.
Mas, em meio à emergência climática, os períodos prolongados de estiagem e de dias de intenso calor - que propiciam o aumento no consumo ao mesmo tempo em que dificultam a recomposição dos mananciais - são uma preocupação para o DAE, conforme reconhece o presidente da autarquia, Renato Purini. E, entre as ações que ele considera serem mais rápidas para garantir ganho de produção estão a perfuração de um complexo de poços na região do Val de Palmas, na zona Norte de Bauru, e o alteamento da captação do Rio Batalha.
Para viabilizar o primeiro, orçado em cerca de R$ 50 milhões, o departamento tem "passado o chapéu" há meses em busca de recursos estaduais ou federais, ainda sem sucesso. O complexo prevê a perfuração de quatro poços, mais uma adutora de cerca de oito quilômetros, além de outras quatro menores e a construção de dois reservatórios.
No dia da posse de seu segundo mandato, a prefeita Suéllen Rosim projetava iniciar a perfuração do primeiro poço com recursos próprios, por meio de licitação, neste primeiro trimestre. Agora, porém, a prioridade é concluir as tratativas com uma construtora para execução deste serviço via contrapartida até o fim do semestre.
"No momento em que a empresa tiver a pré-aprovação do projeto (de construção do empreendimento), ela já anteciparia a perfuração, usando a adutora do poço já existente no Val de Palmas", comenta Purini. Já o segundo poço será executado com recursos do DAE. De acordo com o presidente, o processo licitatório está em fase de cotação de preços e deverá ser lançado na primeira quinzena de março.
Para garantir os dois poços remanescentes, os dois reservatórios, a adutora maior - que ligará os dois novos reservatórios ao do Alto Paraíso, orçada em R$ 12 milhões - e as quatro adutoras menores respectivas de cada poço, uma aposta é obter recursos junto ao Ministério das Cidades. A reivindicação da verba foi feita na semana passada, em Brasília, pelo vereador Mané Losila, correligionário do titular da pasta, Jader Barbalho Filho, no MDB. "Também seguimos buscando verbas com o governo do Estado, tratando com a prefeitura a possibilidade de transposição de recursos para fechar o orçamento e, eventualmente, podemos incluir a conclusão do complexo no financiamento de algumas obras que a prefeitura está elaborando para enviar à Câmara", afirma.
A segunda medida priorizada pelo DAE é a conclusão de um projeto básico, em elaboração por equipes da própria autarquia, para verificar a viabilidade de aumentar a altura do barramento da lagoa de captação do Rio Batalha, a fim de ampliar a capacidade de reservação de água da represa. A expectativa é de que o levantamento seja concluído entre o fim de março e início de abril.
"A altura considerada ideal, de 3,20 metros, é irreal, porque há muita areia no fundo. Talvez a gente tenha, no máximo, 1,80 metro de água disponível e desassorear a lagoa é muito complicado. É um trabalho longo e custoso devido à enorme quantidade de areia que precisa ser retirada e ainda aumenta a turbidez da água", analisa Renato Purini.
Na avaliação dele, os custos e o tempo envolvidos para o alteamento da represa não seriam grandes, visto que o trabalho poderia ser feito por meio de movimentação e compactação de terra em suas margens. A intervenção mais adequada, porém, inclusive quanto à possível altura da lagoa, será mostrada pelo projeto.