Eu era criança.
Estudava num colégio católico em cujo horário do recreio havia música do Richard Clayderman.
Era o sinal para retornar a sala de aula.
Algo, em vários dos de nossos lanches, marcou minha fase estudantil.
O pai de uma colega, dono de uma famosa delicatéssen, vez ou outra destinava um funcionário a escola para levar lanche a essa minha amiga.
Ele tinha acesso a quadra, caminhava lentamente no chão de piso cimentício e entre as colunas verdes, arredondadas, no entorno das quais batíamos bafo com figurinhas.
Trazia um pacote de papel pardo.
O conteúdo?
Coxinha de frango!
Eu? Comia bolacha maisena com margarina que minha mãe enviava na mochila, acompanhada de uma garrafa de plástico com suco de laranja.
As bolachas, uma em cima e outra embaixo, eram recheadas de Claybon.
Para ter uma diversão, eu as apertava para fazer minhocas.
O suco, morno pelo calor de Bauru, era essencial que eu bebesse tudo pois fazia bem e não podia voltar para casa - orientações maternas.
E a Calô, apelido de minha amiga, herdeira do Viena, degustava uma divina coxinha!
Tentando driblar esse "trauma de infância", passei a comprar salgados deliciosos e, de surpresa, levar aos meus filhos antes do intervalo deles.
Não tenho acesso a quadra, mas fico imaginando a alegria ao receber os pacotes.
Tomara que guardem essas experiências como lembranças de lanches satisfatórios.
Nada de laranjada e bolacha de maisena com margarina!
Meu negócio sempre foi Coxinha.