19 de março de 2026
OPINIÃO

Coxinha de frango

Por Patrícia Schubert |
| Tempo de leitura: 1 min

Eu era criança.

Estudava num colégio católico em cujo horário do recreio havia música do Richard Clayderman.

Era o sinal para retornar a sala de aula.

Algo, em vários dos de nossos lanches, marcou minha fase estudantil.

O pai de uma colega, dono de uma famosa delicatéssen, vez ou outra destinava um funcionário a escola para levar lanche a essa minha amiga.

Ele tinha acesso a quadra, caminhava lentamente no chão de piso cimentício e entre as colunas verdes, arredondadas, no entorno das quais batíamos bafo com figurinhas.

Trazia um pacote de papel pardo.

O conteúdo?

Coxinha de frango!

Eu? Comia bolacha maisena com margarina que minha mãe enviava na mochila, acompanhada de uma garrafa de plástico com suco de laranja.

As bolachas, uma em cima e outra embaixo, eram recheadas de Claybon.

Para ter uma diversão, eu as apertava para fazer minhocas.

O suco, morno pelo calor de Bauru, era essencial que eu bebesse tudo pois fazia bem e não podia voltar para casa - orientações maternas.

E a Calô, apelido de minha amiga, herdeira do Viena, degustava uma divina coxinha!

Tentando driblar esse "trauma de infância", passei a comprar salgados deliciosos e, de surpresa, levar aos meus filhos antes do intervalo deles.

Não tenho acesso a quadra, mas fico imaginando a alegria ao receber os pacotes.

Tomara que guardem essas experiências como lembranças de lanches satisfatórios.

Nada de laranjada e bolacha de maisena com margarina!

Meu negócio sempre foi Coxinha.