19 de março de 2026
OPINIÃO

Celulares com uso proibido

Por Professor Joaquim Eliseo Mendes - Membro efetivo da ABLetras. Cad 29 |
| Tempo de leitura: 3 min

O início deste ano letivo ficará marcado na história de nossa educação pelo início da proibição do uso de celulares nas escolas oficiais e particulares até o ensino médio em todo o território nacional, devido lei publicada recentemente abrangendo também tablets e relógios conectados à internet.

Segundo pesquisa DataFolha publicada recentemente, 38% dos brasileiros maiores de 16 anos incluindo certamente pais, políticos e especialistas em educação sejam contra a proibição, esta faz-se necessária como já ocorreu em países como a França, Espanha, Grécia, Dinamarca, Itália e Holanda.

No Brasil alguns governos estaduais já tinham aprovado a proibição e recentemente São Paulo também decidiu, faltando sua regulamentação o que não impede sua imediata implantação. É recomendável que o Diretor da escola, ouvindo sugestões do corpo docente e pessoal administrativo determine o (os) local (ais) da guarda dos mesmos durante todo o período escolar diário aos quais os alunos não terão acesso.

Fique claro de que a proibição não se limita apenas à sala de aula mas ao ambiente escolar, prédio da escola. O leitor amigo tem todo o direito em pensar de que está havendo exageros em minhas colocações; mas o que está acontecendo é que o professor de qualquer matéria das séries ou anos mais adiantados tem um vilão, concorrente indesejável dentro de sua sala, desviando e tirando a atenção do aluno pois cada um quer continuar assistindo o programa em que estava conectado.

Repreendido recolhe temporariamente o celular com o pensamento fixo no que vinha vendo aguardando sua retomada. Sem a presença do indesejável concorrente as aulas dos professores de qualquer matéria ou atividade atingirão melhor qualidade ou nível, contabilizando para o futuro uma melhor qualidade do ensino nacional conferindo-lhe melhor colocação no ranking mundial no qual amarga vergonhosa posição, o professor volta a ser o "dono", não da sala, mas da aula aumentando o seu relacionamento com os alunos e mesmo entre estes durante os intervalos e recreios, mudando suas atitudes e relações de estranhos para amigos e colegas; fato que não tem sido visto ou sentido presentemente pois através do celular vive mais longe e fora da realidade da escola.

É muito importante, fundamental mesmo de que o rigor desta lei federal seja mantido, cumprido e que esta oportunidade seja aproveitada pois a meu entender, a médio prazo já sentiremos seus efeitos salutares traduzidos na qualidade do nosso ensino. Os próprios pais sentirão seus efeitos pela diferença que notarão em seus filhos.

Ressalvo a necessidade de que não se criem paliativos e "exceções" na aplicação da lei que certamente tornar-se-ão definitivos. Diretores, professores e pessoal administrativo devem estar preparados pelos problemas disciplinares que surgirão na escola durante os recreios e mesmo nas entradas e saídas. É certeza de que os bullings aumentarão.

Queridos leitores, pais e amigos. Em função de nossa idade e experiência podemos antever o que virá pela frente neste mundo em matéria de comunicação. Aceitemos e nos preparemos em relação ao fanático e dependente uso do celular pelos alunos, filhos, netos e bisnetos.

Somente esta única medida não conseguirá dar à educação do nosso país a qualidade desejável. Porém constitui um marco histórico. Cada um de nós pode ajudar em muito. Cada um a seu modo.